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2014

Memória e Resistência

As Pós-Graduações de História da Arte, Ciências Sociais e História da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, o Memorial da América Latina e o grupo de estudos Cinema da América Latina e Vanguardas Artísticas foram responsáveis pela organização do II COCAAL com apresentação do tema Memória e Resistência. O Colóquio foi realizado de 13 a 17 de agosto de 2014 no Memorial da América Latina (São Paulo).

Com 9 (nove) eixos temáticos o evento tinha a finalidade de fazer da interdisciplinaridade um fundamento do colóquio, rompendo fronteiras para pensar o fio condutor que norteia os estudos nessas diversas áreas. Como atesta a apresentação do evento:

Para além do panorama histórico, a ideia é se pautar pela orientação da lei do “bom vizinho” do método warburgiano. Ou seja, a solução da questão levantada pelo estudioso estaria na pesquisa ao lado. Nossos vizinhos, apesar de próximos em vários sentidos, quase não são visíveis; não temos o hábito de estabelecer uma interlocução com eles. De modo que a possível memória que possa resultar do encontro não tenha um viés acumulativo, museológico, mas o de um atlas polifônico. Nessa disposição geográfica, temporal e audiovisual, a heterogeneidade de imagens e de vozes seria uma tentativa de evitar o traçado da temporalidade contínua.

Os estudos cronológicos relegaram, em geral, as pesquisas do cinema e das artes na América Latina a um pequeno domínio que, apesar de sua especificidade, apenas confirma o traçado conceitual dos estudos que resultaram de uma produção mundial mais numerosa e mais visível. Trata-se de pensar uma história como memória, no sentido de uma costura dos fios dispersos para esboçar uma colagem. Nessa montagem, as dissociações das lembranças se pautam pela ideia de resistência, com o objetivo de assumir o mudo clamor das expectativas mutiladas do passado – não para explicar o que passou, mas para resgatar a sua atualidade.

Os eixos que formaram a programação do II COCAAL foram:

1. Cinema e Antropologia

2. Cinema e Artes Visuais

3. Cinema, Estética e Política

4. Cinema e História

5. Cinema e Literatura

6. Cinema e Psicanálise

7. Cinema e Relações Institucionais

8. Cinema e Som

9. Cinema e Teatro

Cartaz do COCAAL 2014.

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2013

Imagem e exílio no cinema da América Latina

Entre os dias 31 de julho e 02 de agosto de 2013, houve a primeira edição do COCAAL sob o nome de Colóquio Imagem e Exílio no cinema da América Latina. Sob organização do Departamento de História da Arte da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH), da UNIFESP, o evento trazia a proposta e o desafio de abordar o tema do exílio em seus diferentes significados: a relação entre cinema e populações indígena; as configurações da dor: violência memória e esquecimento; a relação entre exílio e história; o exílio, a herança barroca; e cinema e exílio.

O exílio é um tema e uma vivência  comuns à maioria dos países da América Latina. Iniciativas de recuperação da memória destas passagens históricas são sempre necessárias. Colocar essa temática por meio de uma mostra e um colóquio não alcança apenas à urgência de recuperação do contexto histórico e social, mas à própria história do cinema da América Latina. O conceito de colóquio contempla duas características fundamentais para uma reflexão estética e política sobre o cinema na América Latina que considere a questão do exílio. Primeiro, a ideia de uma conversa, pois retira a pretensão de uma preleção feita a partir de uma fala competente, especializada, que sempre se institui designando os outros como incompetentes ou inexperientes, o que nos leva diretamente para o discurso político colonial ou neocolonial, que se consolidou historicamente e que exilou vários saberes e experiências dos espaços cognitivos. Evidentemente, não se trata de negar os saberes e experiências adquiridos, mas de questionar o pressuposto da “fala competente” como fundamento de uma prática intelectual. Segundo, o colóquio tem como horizonte uma prática cinematográfica muito significativa: aquela da “roda de conversa”, que nos remete à experiência de encantamento dos espectadores quando saiam do cinema e que se traduzia na necessidade de falar sobre o que tinham acabado de ver.

A questão política é fundamental; trata-se de um percurso que vai da abordagem política à política na abordagem. E o tema exílio permite pensar a política em seu sentido mais amplo possível, pois permite refletir um cinema na América Latina sem assumir nenhuma noção que remeta aos movimentos nacionalistas ou a uma tradição como ponto de partida – por exemplo, aquela que supõe ser possível uma identidade latino-americana, a partir da qual se deve falar. O exílio é uma espécie de constelação de significados, cujo traçado é sempre móvel, de acordo com as linhas imaginárias que já estão esboçadas e com outras que ainda se delinearão – trata do exílio motivado por razões políticas ou econômicas e até do sentimento de se sentir estrangeiro ou estranho diante de uma realidade adversa. As diversas mesas que conformam este colóquio têm como fundo reflexivo uma discussão dos aspectos sociais e históricos, políticos e filosóficos da memória e do esquecimento em sociedades que passaram por experiências autoritárias em sua história recente.

Cartaz da primeira edição do COCAAL realizada em 2013

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2016

Coloquio de Cine y Arte en América Latina

O IV COCAAL aconteceu em solo mexicano sob o nome de Coloquio de Cine y Arte en América Latina (COCAAL) juntamente com outros dois eventos de estudos em cinema: o Segundo Encuentro Internacional de Investigadores de Cine Mexicano e Iberoamericano e o XV Congreso Internacional de Teoría Análisis Cinematográfico (SEPANCINE). Em um rico com pesquisadores de dez países, o encontro permitiu a discussão acerca da produção audiovisual latino-americana não somente em diferentes eixos temáticos – em seguimento às edições anteriores – mas um intercâmbio de ideias a partir das diferentes perspectivas provenientes de pesquisadores e pesquisadoras de outros lugares do mundo.

Resultante de uma parceria entre a Asociación Mexicana de Teoría y Análisis Cinematográfico (SEPANCINE) e o Grupo de Estudos de Cinema Latino-Americano e Vanguardas Artísticas (GECILAVA), o Colóquio foi realizado em La Cineteca Nacional de México (CNM), no período de 22 a 24 de junho de 2016 e reuniu cerca de 39 pesquisadores brasileiros.

Cartaz do COCAAL 2016, realizado no México.
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2019

O público no cinema e na arte da América Latina (AL)

O VII Cocaal: o público no Cinema e na Arte de América Latina foi organizado pelas pós-graduações de História e Arte da UNIFESP, do PROLAM da USP e do PPGMPA (ECA/USP). O colóquio passado (UFF – UNIFESP)  pensou a contribuição da AL no campo das artes e refletiu sobre a condição feminina em nosso (sub)continente. Dando continuidade aos dois enfoques, a edição de 2019 decidiu homenagear a atriz e cineasta Helena Ignez e a cineasta Ana Carolina. Condição feminina, deslocamento de personagens delirantes, potência do marginalizado, que fazem parte do trabalho destas duas artistas, são categorias de pensamento que ajudam a entender nossa produção artística.

O conceito de público, ainda pouco estudado no Brasil, também foi centro dos debates em uma busca de diálogo com a estética da recepção, teorias do espectador e o conceito mais abrangente de público. Uma conversa imprescindível com os estudos de cinema mexicanos, que, ao trabalhar os espaços de exibição, têm destacado a segmentação hierárquica social do público produzida por estes lugares. Com a difusão das redes sociais, que determinam social e politicamente muita coisa, é necessário pensar o público também em sua relação com o privado. O que se torna público, como se torna público, quem detém esses processos? Questões importantes para entender o presente. Os estudos argentinos de cinema  nos interessam para dar continuidade ao debate já consolidado sobre os processos históricos, imagens e narrativas, e que determinam como e o que se representa. Estes intercâmbios reafirmam a noção de que  AL é a possibilidade de imaginar e implementar diversos projetos que sempre estão dentro de um campo de disputa. Os Cocaales foram consolidando um espaço de análises e críticas muito frutíferos para os estudiosos brasileiros e aqueles dos países vizinhos sobre o cinema.

A VII edição do Colóquio foi composta por 16 eixos:

  1. História, cinema e memória
  2. Cinema, arte e gênero
  3. Arte e cinema experimental na América Latina: história e crítica
  4. Cinema negro latino-americano
  5. Cinema, arte e antropologia
  6. Abertura radical e engajamento do público nos processos decisórios
  7. Materialidades do Cinema
  8. Cinema e movimentos sociais
  9. Audiovisual, estética e política
  10. Cinema, arte, língua e literatura
  11. Cinema, arte e história
  12. Cinema e som
  13. Cinema, economia e política cultural
  14. Cinema, televisão e novas mídias
  15. Cinema e artes visuais
  16. Cinema e psicanálise

Organização:  

Andréa R. Silva
Anna Karinne Ballalai
Carolina de Oliveira Patta
Diego Lorena Vilela
Eduardo Meciano
Esther Hamburger
Fábio Camarneiro
Fábio Uchôa
Fernanda Schenferd
Geraldo Blay Roizman
Ilma Guideroli
Isabela Vasconcelos

Grupo de Estudos Cinema da América Latina e Vanguardas Artísticas – Diálogos entre Construção, Expressão e Espacialidade

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2017

Estado crítico: América Latina Resistente

Realizado pelos Programas de Pós-Graduação em História da Arte e Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi – UAM, o Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo – PROLAM/USP, o Grupo de Estudos Cinema da América Latina e Vanguardas Artísticas – GECILAVA, da UNIFESP, e o Grupo História e Experimentação no Cinema e na Crítica, da ECA-USP, V Colóquio de Cinema e Arte da América Latina foi realizado no período de 12 a 15 de setembro de 2017, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Segue texto de apresentação do Colóquio:

O encontro possui catorze eixos temáticos, cuja finalidade é fazer da interdisciplinaridade o caráter fundamental do colóquio. Para além do intercâmbio entre domínios, trata-se ainda de romper fronteiras para pensar o fio condutor que norteia os estudos nas diversas áreas abarcadas nesta edição do evento. Insistimos que ainda são tímidas as interlocuções com nossos vizinhos – sejam elas dos mais variados campos do saber ou propriamente com nuestros hermanos latino-americanos –, sendo que alguns são ainda invisíveis ou distantes para nós. No entanto, no que se refere em especial à América Latina, nossas experiências históricas, políticas, culturais e emocionais são tão semelhantes que se faz necessário – e, considerando-se o contexto atual, urgente – romper fronteiras, mobilizando e difundindo as reflexões que estejam sendo produzidas sobre o nosso Continente.

Sofremos a invasão europeia, um duríssimo e violento período colonial, a escravidão; compartilhamos de um passado marcado por inúmeros genocídios de populações originárias e africanas. As frágeis democracias que vieram depois desse período nefasto não conseguiram apagar a abismal diferença que se estabeleceu entre os que se apropriaram do poder e da riqueza desde a colônia e o restante da população. Os últimos 20 anos da história da América Latina, marcados por um processo de redemocratização política contestável em diversos sentidos e (não por acaso) pelo recrudescimento de ondas reacionárias, configuraram-se por isso (e não pela primeira vez) no cenário em que eclodem constantemente inúmeros movimentos de resistência: resistência política, ideológica, étnica, cultural, ambiental, dentre tantas outras. Ventos do Norte continuam não movendo moinhos e ainda são muitos os mortos e caminhos tortos, mas a América Latina procura mostrar que ainda não se deu por vencida e sua alma está menos e menos cativa. Se não no nível macro, no nível dos pequenos grandes coletivos, na mobilização das “minorias” (que sabemos serem maiorias), na pulverização dos movimentos contemporâneos de resistência.

Qual o papel do cinema, das outras mídias audiovisuais e da arte na conjuntura histórica e atual do nosso continente? Segundo Foucault, jogamos um jogo de práticas institucionalizadas e legitimadas por consensos sociais inarticulados, jamais percebidos. Quais são esses consensos que se formaram e legitimaram a dominação e quais os papéis desempenhados pelas mídias e as artes? Nosotros da América Latina estamos imbrincados num entre-imagens, estamos no entrecruzamento do que costumamos chamar Centro x Periferia. Projetados como descendentes da cultura latina (e, portanto, herdeiros de Roma), nosso tempo presente possui a marca indelével do silêncio e da invisibilidade. 

Neste sentido, sabemos também que realizar uma produção audiovisual e artística é criar lugares para o público. Temos a consciência de que o Audiovisual – particularmente o cinema, além do vídeo, da televisão, da internet e outras mídias -, e as Artes são imperativos, podendo ser a regra na manutenção de novos espaços e na proteção contra o poder opressor. Não obstante tal condição, para além dos lugares oficiais e seguros já reservados ao cinema, às artes, às mídias e a nós, algumas produções atuais têm procurado revelar lugares resistentes: lugares que são diversos em sua essência (a ocupação na escola, a demarcação indígena, a própria internet) e que disparam a partir de seu próprio interior muitos olhares que se projetam contra a ordem instituída e a dominação.

Os lugares projetados por estes olhares, em suma, são o cinema, as produções audiovisuais e as artes que nos propomos aqui a conhecer e pensar.

​Os eixos que compuseram a programação V COCAAL foram:

1. Cinema, arte e antropologia
2. Cinema e artes visuais
3. Audiovisual, estética e política
4. Cinema, arte e história
5. Cinema, arte e literatura
6. Cinema e psicanálise
7. Cinema e artes cênicas
8. Cinema e som
9. Cinema, televisão e novas mídias
10. Cinema e movimentos sociais
11. Cinema contemporâneo e gêneros cinematográficos
12. Arte e cinema experimental na América Latina: história e crítica
13. Cinema, economia e política cultural 14. Cinema na América Latina: história e historiografia

A conferência de abertura, Articulações entre o passado e o presente na América Latina, contou com a presença dos pesquisadores Ana Laura Lusnich (UBA/Argentina) e Ismail Xavier (USP/Brasil) e a conferência de encerramento foi conduzida por Diego Fernando Montoya Bermudez (EAFIT – Colômbia) abordando o tema webséries na América Latina. As duas conferências tiveram transmissão, ao vivo, pela internet e os vídeos disponíveis abaixo.

Conferência de abertura (12/09/2017)

Conferência de encerramento (15/09/2017)

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2018

Campos vadios, mitos minados

Selo utilizado na programação do COCAAL 2018

O VI Cocaal foi realizado na Universidade Federal Fluminense (UFF), no período de 03 a 06 de setembro de 2018, em parceria com o II Cocaf – Colóquio Brasileiro de Cinema de Autoria Feminina evento que reúne pesquisas sobre realizadoras mulheres no audiovisual, com o intuito, entre outros aspectos, de rever a historiografia que omitiu a presença dessas profissionais na história do cinema e do audiovisual.

Com a finalidade de partilhar as experiências de estudos e projetos da América Latina que, a partir do cinema, do audiovisual e da arte, o colóquio continuou a investir no diálogo com outros campos do conhecimento, particularmente das ciências humanas, dando prosseguimento à interdisciplinaridade promovida pelas cinco primeiras edições do evento e centrando suas discussões em 6 (seis) grupos temáticos:

  1. Mulheres no audiovisual
  2. Política e estética
  3. Cinema, audiovisual e educação
  4. Indústria e recepção audiovisual
  5. Memória, história e arquivo
  6. Cinema, antropologia, cidade e expressões artísticas

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2015

Relatos selvagens: tensões, disputas e desvios

O III COCAAL, realizado com a finalidade de partilhar as experiências de estudos e projetos da América Latina, a partir do cinema, do audiovisual e da arte continuou investindo no diálogo com outros campos do conhecimento, particularmente das ciências humanas, dando prosseguimento à interdisciplinaridade promovida pelas duas primeiras edições do evento.

A programação foi composta pela organização de 4 (quatro) eixos:

1. Cinema, Audiovisual e Educação; 2. Audiovisual, Políticas e Estéticas; 3. Cinema e Audiovisual: Memória, História e Arquivo; 4. Cinema e Audiovisual: Indústria e Recepção.  

Os pesquisadores envolvidos na organização dessa terceira edição da COCAAL estão agrupados nos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, em Mídia e Cotidiano e em Estudos Contemporâneos das Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com os Programas de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Também são parceiros os pesquisadores da PRALA – Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano, professores do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF e os pesquisadores do GECILAVA – Grupo de Estudos do Cinema Latino-Americano e Vanguardas Artísticas, vinculado à UNIFESP. O evento ainda tem o apoio da PROPPI – Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação; PROEXT – Pró-Reitoria de Extensão e do IACS – Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF.

Cartaz do COCAAL 2015.