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2016

Coloquio de Cine y Arte en América Latina

O IV COCAAL aconteceu em solo mexicano sob o nome de Coloquio de Cine y Arte en América Latina (COCAAL) juntamente com outros dois eventos de estudos em cinema: o Segundo Encuentro Internacional de Investigadores de Cine Mexicano e Iberoamericano e o XV Congreso Internacional de Teoría Análisis Cinematográfico (SEPANCINE). Em um rico com pesquisadores de dez países, o encontro permitiu a discussão acerca da produção audiovisual latino-americana não somente em diferentes eixos temáticos – em seguimento às edições anteriores – mas um intercâmbio de ideias a partir das diferentes perspectivas provenientes de pesquisadores e pesquisadoras de outros lugares do mundo.

Resultante de uma parceria entre a Asociación Mexicana de Teoría y Análisis Cinematográfico (SEPANCINE) e o Grupo de Estudos de Cinema Latino-Americano e Vanguardas Artísticas (GECILAVA), o Colóquio foi realizado em La Cineteca Nacional de México (CNM), no período de 22 a 24 de junho de 2016 e reuniu cerca de 39 pesquisadores brasileiros.

Cartaz do COCAAL 2016, realizado no México.
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Eixo Temático

Eixo 6

Sonoridades, representações, identidades, resistências

Na voga do recente giro sonoro nos estudos fílmicos latino-americanos, zona de reflexão em forte expansão nos últimos anos, este eixo reúne investigações sobre as dinâmicas da interação som-imagem no cinema e nas artes. Reverente à tradição interdisciplinar do evento, aceita-se propostas que examinem as sonoridades de obras audiovisuais, performances, instalações e outras manifestações artísticas em seus aspectos estéticos, poéticos, históricos, culturais, sociais, tecnológicos e políticos. Com interesse na faculdade dos sons de ativar a dimensão sensível da fruição e de mobilizar memórias e afetos, dá-se preferência, embora não exclusivamente, a pesquisas que reflitam sobre o modo como as nossas múltiplas vozes, línguas, modos de falar, de tocar e de cantar, assim como as paisagens sonoras midiáticas, urbanas e rurais da região, operam nas obras como trincheiras simbólicas das nossas lutas identitárias e da resistência contra a colonização da escuta e do olhar.

Coordenação: Dr. Guilherme Maia (UFBA); Doutoranda Marina Mapurunga (UFRB-USP); Dr. Marcos Pierry (FTC)

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Eixo Temático

Eixo 7

Cinema, arte e educação

Partimos do princípio de que todo cinema, e imagens audiovisuais, possuem uma pedagogia interna – por meio da expressão de valores, visões de mundo, formas de pensar e sentir. No caso dos cinemas e das artes latino- americanos é muito comum observarmos pedagogias da resistência, evidenciando que nossos corpos, nossas imagens, nossas experiências culturais existem, são plurais e se (re)inventam continuamente. Dessa forma, este grupo de trabalho pretende complexificar essa premissa ao ampliar o diálogo com pesquisas que articulem processos de aprendizagem com expressões audiovisuais e artísticas em geral, incorporando as experiências e questões das latinidades aqui chamadas de afro-ameríndias. O objetivo é avançarmos nas questões teóricas e metodológicas que permeiam o campo cinema, audiovisual e educação, com debates acerca das pedagogias das imagens, processos formativos das artes afroameríndias, aprendizagens que vão da produção à recepção.

Coordenadoras: Dra. Ana Paula Nunes (UFRB); Dra. Ana Ângela Farias Gomes (UFS); Dra. Nadir Nóbrega Oliveira (UFBA).

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Eixo Temático

Eixo 5

Estudos de Recepção no Audiovisual e na Arte

O Grupo de Trabalho tem como proposta alargar o horizonte de debates sobre os estudos de recepção no audiovisual e na arte latino-americanos e busca reunir investigadores interessados em um enfoque multidisciplinar (abordagens empíricas e teóricas) que dê conta da recepção enquanto fenômeno de cultivo de experiências, fruto da relação entre produtos audiovisuais e artísticos, o espectador e os múltiplos contextos que os circundam. Visa ainda atualizar as referências conceituais e teóricas do campo, trazendo novas questões que atraem práticas de textos críticos e de fãs, a dimensão estético-receptiva do consumo, os espaços de fruição e os circuitos de exibição, a perspectiva sociocultural e as mediações do processo de recepção.

Coordenação: Dra. Regina Gomes (UFBA); Dr. Rafael Carvalho (UNEB)

Eje tematico: Estudios de Recepción en Audiovisual y Arte

El eje temático tiene como propuesta ampliar el horizonte de debates sobre los estudios de recepción en el audiovisual y en las artes latino-americanas, e aún también pretende reunir investigadores interesados en enfoques multidisciplinares (abordajes empíricos e teóricos) que contemplen la recepción como fenómeno de cultivo de experiencias, fruto de la relación entre productos audiovisuales e artísticos, el espectador e los múltiplos contextos que lo circundan. Objetiva aún actualizar referencias conceptuales e teóricas en el sitio, buscando cuestiones que atraen prácticas de textos críticos y de fans, la dimensión estético-receptiva del consumo, los espacios d fruición y los circuitos de exhibición, la perspectiva sociocultural e las mediaciones del proceso de recepción.

Coordinadores: Dra. Regina Gomes (UFBA); Dr. Rafael Carvalho (UNEB)

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Eixo Temático

Eixo 4

Cinema, Arte, Gênero e Sexualidade

O Grupo de Trabalho Cinema, Arte, Gênero e Sexualidade se constitui como um espaço para as discussões sobre pesquisas em cinema e artes visuais que evidenciem as relações de gênero, os feminismos, as sexualidades em suas possíveis dinâmicas e processos de sociabilidade através das múltiplas interfaces e entrecruzamentos das diferenças na América Latina. A produção artística e cinematográfica latino-americana, desde a segunda metade do século XX, se destaca pela contundência de trabalhos que conceituam, indagam e movimentam as teorias feministas e de gênero no continente. Através dos mais variados suportes e linguagens artísticas e do fazer audiovisual tornam-se visíveis as narrativas e as lutas dos corpos pelo direito à existência e livre expressão dos afetos e do prazer, assim como evidenciam-se as estruturas hierárquicas e as relações de poder que os tornam vulneráveis. Dessa forma, nosso objetivo é de que possamos fortalecer o diálogo entre pesquisas com perspectivas, temáticas, artistas e processos criativos os mais diversos, que venham contribuir para o enriquecimento do diálogo sobre essas questões no espaço latino-americano.

Coordenação: Dra. Priscila Miraz (UFRB); Dra. Rosângela Fachel (UFPEL); Doutoranda Olga Wanderley (UFPE)

Eje temático: Cine, arte, género y sexualidad

El eje temático Cine arte, género y sexualidad se constituye como un espacio para las discusiones sobre investigaciones en cine y artes visuales que evidencien las relaciones de género, los feminismos, las sexualidades en sus posibles dinámicas e procesos de sociabilidad a través de las múltiples interfaces y entrecruzamientos de las diferencias en América Latina. La producción artística e cinematográfica latino-americana, desde la segunda mitad del siglo XX, se destaca por la contundencia de trabajos que conceptúan, indagan y movilizan las teorías feministas e de los géneros en el continente. Por los más variados suportes e lenguajes artísticos e del hacer audiovisual se tornan visibles las narrativas y las luchas de los cuerpos por el derecho a la existencia e libre expresión de los afectos e de los placeres, así como se evidencian también las estructuras jerárquicas e las relaciones de poder que os vuelve vulnerables. De esa manera, nuestro objetivo es que posamos fortalecer el dialogo entre investigaciones con perspectivas, temáticas, artistas, procesos creativos os más diversos, que vengan contribuir para el enriquecimiento del dialogo sobre esas cuestiones en el espacio latinoamericano.

Coordinadoras: Dra. Priscila Miraz (UFRB); Dra. Rosângela Fachel (UFPEL); Doutoranda Olga Wanderley (UFPE)

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Eixo Temático

Eixo 3

História, memória e arquivo

Reconhecendo os sabores dos arquivos e as armadilhas da memória no trabalho historiográfico e nos campos da arte e do cinema, este GT pretende discutir as relações, fricções e tensões a partir das quais se tornam possíveis as escritas da história do cinema latino-americano, em suas articulações disjuntivas com a história da arte, observando não apenas a emergência dos novos sujeitos, objetos e práticas, mas também as novas miradas críticas que se constituem em relação aos marcos referenciais do campo. Considerando a multiplicidade de sentidos das relações entre arte, cinema, história e historiografia, interessa interrogar tanto as transformações epistemológicas e analíticas que se operam na pesquisa histórica quanto os deslocamentos de práticas estéticas e poéticas associados ao interesse em questões de história, políticas da memória e derivas de arquivo. Dessa forma, pretende-se discutir, por um lado, as possibilidades e os limites de diferentes perspectivas críticas e historiográficas, atravessadas pela reivindicação da diferença, de formas de leitura a contrapelo e de outros fundamentos de escrita da história. Ao mesmo tempo, por outro lado, trata-se de debater os diferentes gestos criativos que operam por meio da apropriação de materiais de arquivo, da perturbação do modo de sedimentação das camadas da memória e da incorporação de traços dos fluxos da história nos processos da arte e do cinema.

Coordenação: Dra. Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB); Dra. Laura Bezerra (UFRB); Dr. Marcelo R. S. Ribeiro (UFBA).

Historia, memoria y archivo

Reconociendo los sabores de los archivos e las trampas de la memoria en el trabajo historiográfico y en los sitios del cine, este eje temático discute las relaciones, fricciones e tensiones a partir de las cuales se tornan posibles las escritas de la historia del cine latino-americano, en sus articulaciones disyuntivas con la historia del arte, observando no solamente la emergencia de los nuevos sujetos, objetos y prácticas, pero también nuevas miradas críticas que se constituyen en relación a los ámbitos referenciales del campo. Considerando la multiplicidad de sentidos de las relaciones entre arte, cine, historia e historiografía, interesa interrogar tanto las trasformaciones epistemológicas e analíticas que operan en la investigación histórica, cuanto los desplazamientos de prácticas estéticas e poéticas asociadas al interés en cuestiones de historia, política de la memoria e derivadas del archivo. De esa manera, pretendemos discutir, por un lado, las posibilidades y los límites de diferentes perspectivas críticas e historiográficas, cruzadas por la reivindicación de la diferencia, de formas de lectura a contrapelo e de otros fundamentos de escrita de la historia. Al mismo tiempo, por otro lado, tratase de debatir los distintos gestos creativos que operan por medio de apropiación de materias de archivo, de la perturbación del modo de sedimentación de las camadas de la memoria e de la incorporación de rasgos de los flujos de la historia en los procesos de arte e de cine.

Coordinadores: Dra. Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB); Dra. Laura Bezerra (UFRB); Dr. Marcelo R. S. Ribeiro (UFBA).

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Eixo Temático

Eixo 2

Cinema e Arte Afro-Ameríndios

Este eixo temático se propõe a refletir sobre a produção, circulação e crítica de cinema e arte afro-ameríndios. Nesse sentido, estamos atentos(as) à singularidade dos processos de realização elaborados por grupos, coletivos e comunidades distintos, às formas de circulação dessa produção e também à importância da agência dos espectadores e/ou do público ao tomar contato com esses trabalhos. Pretendemos discutir sobre a denominação afroameríndia como paradigma para pensar e compreender expressões culturais de matrizes africanas e ou ameríndias na América Latina, suas estéticas, historiografias e metodologias transculturais, reunindo e promovendo diálogos entre culturas e formas artísticas, desde que sem perder de vista suas especificidades. Finalmente, interessa-nos abordar as dimensões política e estética do cinema e da arte afro-ameríndia na América Latina historicamente, além de apontamentos e reflexões acerca de perspectivas de intervenção no contexto contemporâneo.

Coordenadoras: Dra. Clarisse Alvarenga (UFMG); Dra. Emi Koide (UFRB); Tatiana Carvalho Costa (UNA)

Cine y arte afro-amerindios

Este eje temático propone la reflexión sobre la producción, circulación e crítica de cine y arte afro-amerindios. En este sentido, estamos atentos(as) a las singularidades de los procesos de realización elaborados por grupos, colectivos e comunidades distintos, a las formas de circulación de esa producción y también a la importancia de la agencia de los espectadores e\o del público al ponerse en contacto con estos trabajos. Pretendemos discutir sobre la denominación afro-amerindia como paradigma para pensar e comprender expresiones culturales de matices africanas e\o amerindias en América Latina, sus estéticas, historiografías e metodologías transculturales, recogiendo e promoviendo diálogos entre culturas e formas artísticas, desde que sin perder de vista sus especificidades. Por fin, nos interesa abordar las dimensiones políticas y estéticas del cine y del arte afro-amerindia en América Latina históricamente, así como apuntes y reflexiones acerca de las perspectivas de invención en el contexto contemporáneo.

Coordinadoras: Dra. Clarisse Alvarenga (UFMG); Dra. Emi Koide (UFRB); Tatiana Carvalho Costa (UNA)

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Eixo Temático

Eixo 1

Política e Estética

As mudanças nas lógicas de produção, circulação e consumo da produção simbólica, fruto de reivindicações políticas de grupos historicamente excluídos, como negros, mulheres, indígenas e dissidências sexuais e de gênero, vem configurando nas últimas duas décadas um contexto de re-emergência pública, como corpos falantes, de sujeitos que disputam ativamente narrativas, imaginários e paisagens por meio das linguagens que envolvem as imagens. Ao mesmo tempo em que diversas áreas de conhecimento incorporaram em seus escopos de estudos fenômenos que são fruto dessa virada subjetiva, ela nem sempre é acompanhada de uma virada epistemológica, de uma tentativa de acionar outras chaves de leitura para pensar essa produção. Esse eixo temático coloca em cena um duplo esforço: abrigar investigações voltadas à produção audiovisual e artística latino-afro-ameríndia que dá a ver as relações entre estética e política e também, especialmente, valorizar trabalhos que explorem gestos teóricos e metodológicos que contribuam para enegrecer e generificar os modos como olhamos os fenômenos, a partir de epistemologias feministas e antirracistas. Entendemos as relações entre estética e política no contemporâneo como constitutivas de sensibilidades e afetos compartilhados em contextos de disputas nos âmbitos da visibilidade e da cidadania, bem como de modos de compreender e habitar um mundo em comum.

Coordenação: Dra. Gabriela Almeida (ESPM-SP); Dra. Helen Campos Barbosa (UFBA)

Política e Estética

Los cambios en las lógicas de producción, circulación y consumo de la producción simbólica, resultante de reivindicaciones políticas de grupos históricamente excluidos, como los negros, las mujeres, los indígenas e las disidencias sexuales y de género, poco a poco se configuran, tras las dos últimas décadas, un contexto de re-emergencia pública, como cuerpos hablantes, de sujetos que disputan activamente narrativas, imaginarios y paisajes por medio de los lenguajes que circundan las imágenes. Al mismo tiempo en que diversos sitios del conocimiento incorporan en sus alcances de estudio los fenómenos que son resultados de ese giro subjetivo, no siempre él bien acompañado de un giro epistemológico, de una tentativa de accionar otras claves de lectura para pensar esa producción. Ese eje temático pone en escena un duplo esfuerzo: alojar investigaciones que se vuelvan a la producción audiovisual y artística latino-afro-amerindia que evidencien las relaciones entre estética y política, e que también, especialmente, valoren trabajos que exponen gestos teóricos y metodológicos que contribuyan para ennegrecer e generificar los modos como miramos los fenómenos a partir de epistemologías feministas e antirracistas. Comprendemos las relaciones entre estética y política en el contemporáneo cómo constitutivas de sensibilidades y afectos compartidos en contextos de disputas en los ámbitos de la visibilidad y de la ciudadanía, bien cómo de modos de comprender y habitar un mundo en común.

Coordinación: Dra. Gabriela Almeida (ESPM-SP); Dra. Helen Campos Barbosa (UFBA)

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Destaque

Latinidades Afro-ameríndias

Próximo COCAAL discute intersecções latinas com culturas africanas e ameríndias. Na foto, a pensadora brasileira Lélia González uma das referências

Tema do Cocaal 2023

[Por favor, desplácese hacia abajo para leer nuestra traducción en Español]

O que está em jogo quando se designa a América Latina, seja para reivindicá-la ou  recusá-la? A América Latina é uma fantasia ou um fantasma: não existe como presença plena ou projeto acabado, como identidade dada e território unificado; e é mais de uma, nos múltiplos tempos em que se desdobra, sem conjunção possível, como identidade fugidia ou terra dispersa, alheia a toda territorialização, isto é, a toda tentativa de apropriação e de instauração de um domínio unitário. América, em geral, e  América Latina, em particular, se inscreveram na imaginação política global – naquilo que Walter Mignolo (2003) denomina “sistema mundial colonial/moderno” – como um campo de disputa. Dessa forma, a assinatura colonial inscrita na noção de América Latina deve ser reconhecida por qualquer reivindicação do termo e de suas derivações.

Ao mesmo tempo, sem apagar a assinatura colonial que a inaugura, a história da América Latina deve ser lida a contrapelo, para que seja possível saber as realidades que a constituem, as disputas que a atravessam, os horizontes e as vertigens que a jogam para fora de si mesma. É preciso reconhecer, ao lado dos fantasmas coloniais cuja aparição permanece visível desde o nome, a sucessão múltipla de fantasmas cuja desaparição deve ser confrontada, mesmo que faltem nomes próprios suficientes para essa confrontação (e que esses nomes também procedam de uma genealogia colonial): os fantasmas de todas as pessoas que, sob o regime colonial de distribuição da violência, foram forçadas a desaparecer, no processo histórico de construção da experiência latino-americana.

Reivindicar as latinidades afro-ameríndias, como faz esta nona edição do Colóquio de Cinema e Arte na América Latina, implica reconhecer a violência da nomeação colonial das gentes colonizadas e a assinatura colonial que aspira a unificar, assim, a noção de América Latina (como uma herança comum). Ao mesmo tempo, ao apontar para as latinidades afro-ameríndias, trata-se de repensar a América Latina a partir da relação e do diálogo entre culturas e perspectivas coletivas, por meio da abertura e da escuta às vozes e aos traços da multiplicidade de experiências das gentes que o projeto colonial pretendeu reunir de forma generalizada, sob signos de africanidade e amerindianidade, cujas designações genéricas uma série de movimentos posteriores buscaram e buscam transformar em alavancas estratégicas de intervenção social e política.

Diante disso, impossível não salientarmos que iniciamos o ano de 2023 com a posse histórica de Sônia Guajajara, à frente do Ministério dos Povos Indígenas, do professor, jurista e filósofo Silvio Almeida, no Ministério de Direitos Humanos  com a recriação do Ministério da Igualdade Racial, a cargo de Anielle Franco, três instâncias fundamentais para implementação de políticas públicas voltadas para o enfrentamento da violência colonial atualizada constantemente por sistemas de policiamento e governo, e efetivamente de governo como policiamento, que persistem como norma em todo o continente. “Nunca mais o Brasil sem nós”, disse em seu discurso de posse Sônia Guajajara. “Não recuaremos, não retrocederemos, não vamos abaixar a cabeça mais, não sairemos daqui”, afirmou Anielle Franco. “Homens e mulheres pretos e pretas do Brasil, vocês existem e são valiosos para nós”, disse Silvio Almeida ao assumir a pasta. Falas que estão imbuídas de toda uma longa trajetória de movimentos e organização política de gentes negras e indígenas que têm buscado, desde o início, contestar as denominações coloniais a partir da reivindicação estratégica de seus termos, o que está presente ainda em outra fala de Guajajara: “Esse ministério é novo, mas na verdade esse ministério é ancestral”.

Nesse sentido, além de pensar a América Latina no plural, por meio da noção de latinidades, se trata de reivindicar, por meio do adjetivo afro-ameríndias, a possibilidade de multiplicação de perspectivas para reinventar a vida em comum no continente, nos campos do cinema e da arte. As latinidades afro-ameríndias são uma abertura para as formas alternativas de vida em comum que Lélia Gonzalez designou por meio da noção de “Améfrica Ladina”, para as práticas de contra-colonização do que Antonio Bispo dos Santos chamou de “povos afro-pindorâmicos” e para as memórias e projeções que tanto Ailton Krenak quanto Davi Kopenawa, entre outros, têm encontrado no tempo do sonho, resistindo à colonização, às suas heranças e às suas formas de tentar impor o fim do mundo. Latinidades afro-ameríndias, portanto, são também ladinidades améfrico-pindorâmicas, e quantos outros nomes será preciso desarticular e rearticular, desmontar e remontar, para começar a reconhecer e a inventar a multiplicidade de suas figuras mundanas e fantasmas extra-mundanos. 

Em articulação com as ideias aqui expostas, incentivamos o envio de propostas de mesas e comunicações que transitem nos seguintes eixos temáticos:

Histórias, memórias, fabulações e arquivos
Perspectivas teóricas e metodológicas
Estudos de recepção
Cinema, arte e educação
Corpos, gêneros e sexualidades
Poéticas sonoras e musicais
Linguagem: reconfigurações, experimentações, transgressões
Militâncias e ativismos
Representações, contra-representações e representatividade
Afetos, emoções, sentimentos
Bordas, margens, periferias
Coletivo, comunal, comunitário
Meio-ambiente e ecologias decoloniais
Audiovisualidades insurgentes
Artes e hibridismos


Tema del COCAAL 2023

¿Qué está en juego cuando se nombra a América Latina, sea para reivindicarla o para cuestionar su existencia? América Latina es una fantasía o un fantasma: no existe como una presencia plena o un proyecto terminado, como una identidad dada y un territorio unificado; y es más de una, en los múltiples tiempos en que se despliega, sin conjunción posible, como identidad esquiva o tierra dispersa, ajena a toda territorialización, es decir, a cualquier intento de apropiación y establecimiento de un dominio unitario. América, en general, y América Latina, en particular, se inscribieron en el imaginario político global –en lo que Walter Mignolo (2003) llama el “sistema mundial colonial/moderno”– como campo de disputa. De esta forma, la marca colonial inscrita en la noción de América Latina debe ser reconocida por cualquier reivindicación del término y sus derivaciones.

Al mismo tiempo, sin ignorar el sello colonial de su pasado, la historia de América Latina debe leerse a contrapelo para que sea posible conocer las realidades que la constituyen, las disputas que la atraviesan, los horizontes y los abismos que la lleva para fuera de sí misma. Es necesario reconocer, junto a los fantasmas coloniales cuya presencia permanece visible desde su nombre, la sucesión múltiple de fantasmas cuya desaparición debe ser confrontada, aunque falten suficientes nombres propios para esta confrontación (y que estos nombres también provienen de una genealogía colonial): los fantasmas de todas las personas que, bajo el régimen colonial violento, fueron obligadas a desaparecer en el proceso histórico de construcción de la experiencia latinoamericana.

Reivindicar las latinidades afroamerindias, como lo hace esta novena edición del Coloquio de Cinema e Arte en América Latina, implica reconocer la violencia de la denominación colonial de los pueblos colonizados y el sello colonial que aspira a unificar, así, la noción de América Latina (como patrimonio común). Al mismo tiempo, al apuntar hacia las latinidades afroamerindias, procuramos repensar América Latina desde la relación y el diálogo entre culturas y perspectivas colectivas, a través de la apertura y la escucha de las voces y rasgos de las múltiples experiencias de los pueblos que el proyecto colonial pretendió agrupar de manera generalizada, bajo signos de africanidad y amerindianidad, y cuyas designaciones genéricas se han intentado transformar en plataformas estratégicas de intervención social y política por parte de otros movimientos.

Ante eso, es imposible no destacar que iniciamos el 2023 con la histórica toma de posesión de Sônia Guajajara al frente del Ministerio de los Pueblos Indígenas; del profesor, jurista y filósofo Silvio Almeida, en el Ministerio de los Derechos Humanos; con la creación del Ministerio de Igualdad Racial, a cargo de Anielle Franco, tres instancias fundamentales para la implementación de políticas públicas dirigidas al enfrentamiento de la violencia colonial perpetuada por sistemas de vigilancia y gobierno, y de gobierno como vigilancia, que persisten como norma en todo el continente. “Nunca más un Brasil sin nosotros”, dijo Sônia Guajajara en su discurso de posesión. “No retrocederemos, no volveremos atrás, no bajaremos más la cabeza, no nos iremos de aquí”, dijo Anielle Franco. “Hombres y mujeres negros y negras de Brasil, ustedes existen y son valiosos para nosotros”, dijo Silvio Almeida al asumir la cartera. Discursos que están presentes en una larga trayectoria de movimientos y organización política de los pueblos negros e indígenas que han buscado, desde sus inicios, refutar las denominaciones coloniales a partir de la reivindicación de sus propios términos, hecho que está presente en otro discurso de Guajajara: “Este ministerio es nuevo, pero en realidad este ministerio es ancestral”.

En ese sentido, además de pensar América Latina en plural a través de la noción de latinidades, se trata de reivindicar, a través del adjetivo afroamerindios, la posibilidad de multiplicar perspectivas para reinventar la vida en común en el continente, en los campos del cine y el arte. Las latinidades afroamerindias son una apertura a las formas alternativas de vida en común que Lélia González nombró a través de la noción de “Améfrica Ladina”, a las prácticas contra-colonizadoras de lo que Antonio Bispo dos Santos llamó “pueblos afropindorámicos” y para las memorias y proyecciones que tanto Ailton Krenak como Davi Kopenawa, entre otros, han encontrado en el tiempo del sueño, resistiendo a la colonización, sus legados y sus formas de intentar imponer el fin del mundo. Las latinidades afroamerindias, por lo tanto, son también “ladinidades améfrico-pindorámicas”, y cuántos otros nombres habrá que desarticular y rearticular, desmontar y volver a montar, para empezar a reconocer e inventar la multiplicidad de sus figuras mundanas y fantasmas extramundanos.

En articulación con las ideas aquí presentadas, invitamos a presentar propuestas de mesas y comunicaciones que transiten por los siguientes ejes temáticos:

Historias, memorias, fábulas y archivos
Perspectivas teóricas y metodológicas
Estudios de recepción
Cine, arte y educación
Cuerpos, géneros y sexualidades
Poéticas sonoras y musicales
Lenguaje: reconfiguraciones, experimentaciones, transgresiones
Militancias y activismos
Representaciones, contra-representaciones y representatividad
Afectos, emociones, sentimientos
Bordes, márgenes, periferias
Colectivo, comunal, comunitario
Medio ambiente y ecologías decoloniales
Audiovisualidades insurgentes
Artes e hibridaciones

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2019

O público no cinema e na arte da América Latina (AL)

O VII Cocaal: o público no Cinema e na Arte de América Latina foi organizado pelas pós-graduações de História e Arte da UNIFESP, do PROLAM da USP e do PPGMPA (ECA/USP). O colóquio passado (UFF – UNIFESP)  pensou a contribuição da AL no campo das artes e refletiu sobre a condição feminina em nosso (sub)continente. Dando continuidade aos dois enfoques, a edição de 2019 decidiu homenagear a atriz e cineasta Helena Ignez e a cineasta Ana Carolina. Condição feminina, deslocamento de personagens delirantes, potência do marginalizado, que fazem parte do trabalho destas duas artistas, são categorias de pensamento que ajudam a entender nossa produção artística.

O conceito de público, ainda pouco estudado no Brasil, também foi centro dos debates em uma busca de diálogo com a estética da recepção, teorias do espectador e o conceito mais abrangente de público. Uma conversa imprescindível com os estudos de cinema mexicanos, que, ao trabalhar os espaços de exibição, têm destacado a segmentação hierárquica social do público produzida por estes lugares. Com a difusão das redes sociais, que determinam social e politicamente muita coisa, é necessário pensar o público também em sua relação com o privado. O que se torna público, como se torna público, quem detém esses processos? Questões importantes para entender o presente. Os estudos argentinos de cinema  nos interessam para dar continuidade ao debate já consolidado sobre os processos históricos, imagens e narrativas, e que determinam como e o que se representa. Estes intercâmbios reafirmam a noção de que  AL é a possibilidade de imaginar e implementar diversos projetos que sempre estão dentro de um campo de disputa. Os Cocaales foram consolidando um espaço de análises e críticas muito frutíferos para os estudiosos brasileiros e aqueles dos países vizinhos sobre o cinema.

A VII edição do Colóquio foi composta por 16 eixos:

  1. História, cinema e memória
  2. Cinema, arte e gênero
  3. Arte e cinema experimental na América Latina: história e crítica
  4. Cinema negro latino-americano
  5. Cinema, arte e antropologia
  6. Abertura radical e engajamento do público nos processos decisórios
  7. Materialidades do Cinema
  8. Cinema e movimentos sociais
  9. Audiovisual, estética e política
  10. Cinema, arte, língua e literatura
  11. Cinema, arte e história
  12. Cinema e som
  13. Cinema, economia e política cultural
  14. Cinema, televisão e novas mídias
  15. Cinema e artes visuais
  16. Cinema e psicanálise

Organização:  

Andréa R. Silva
Anna Karinne Ballalai
Carolina de Oliveira Patta
Diego Lorena Vilela
Eduardo Meciano
Esther Hamburger
Fábio Camarneiro
Fábio Uchôa
Fernanda Schenferd
Geraldo Blay Roizman
Ilma Guideroli
Isabela Vasconcelos

Grupo de Estudos Cinema da América Latina e Vanguardas Artísticas – Diálogos entre Construção, Expressão e Espacialidade