Quando a pandemia estourou em 2020, houve de imediato reflexões sobre o seu significado para os rumos da humanidade. O esforço planetário no combate contra um inimigo mortal à espécie humana levantou especulações sobre a dinâmica de nossas sociedades e, sobretudo, do projeto de modernidade já posto em xeque desde o final do século passado.
Perspectivas em relação a atividades de solidariedade global, a reflexão sobre um apregoado modelo de vida e de bem-estar individual e familiar, o questionamento empírico do modelo de crescimento econômico estritamente baseado no credo neoliberal e na lógica predatória, a escuta aos avisos alarmantes sobre o impacto global das mudanças climáticas convive(ra)m com o negacionismo, o superindividualismo, a ganância desmedida, o oportunismo sórdido e o delírio fascista.
Assim, se impôs a todos nós uma realidade insólita e assustadora que até então se vislumbrava apenas nas obras distópicas da literatura, do cinema, das artes visuais e de outras manifestações artísticas. De repente, um contraditório universo fictício criado pela arte, em sua mistura de esperança e pesadelo, revelou-se mais real e premente do que nunca.
No entanto, todos esses aspectos atingiram a América Latina em uma convulsiva conjuntura. Antes da pandemia, o nosso continente já estava passando por um conturbado processo. Na década de 2010, as forças neoconservadoras começam a se sobrepujar no cenário continental, com a vitória de Macri na Argentina e a derrubada de Zelaya em Honduras, Lugo no Paraguai, e os impeachments Dilma no Brasil e Morales na Bolívia. Por sua vez, o (narco)paramilitarismo como força política, até então hegemônico na Colômbia, é um fenômeno que se espraia em toda a América Latina. Assim, o autoritarismo entranhado em nossas sociedades manifesta a sua face mais perversa ao esgarçar a crise do progressismo até então em curso. A politização do Judiciário toma força, pois possui um papel chave nesta crise, seja de modo explicitamente partidário como no Brasil ou supostamente apartidário como no Peru, ao estimular o ódio popular à figura do “político corrupto”, apresentando-o como um inimigo a ser abatido e não um cidadão a ser julgado. Insurgências populares tomam de assalto as ruas do Chile, Equador, Bolívia e Haiti.
Tais levantes canalizam a insatisfação com um modelo social e jurídico-político que, em alguns casos, há décadas beneficia uma ínfima parcela da sociedade dentro da democracia formal. Assim, a crise do progressismo aflora antigas estruturas que evidenciam o jogo político posto em prática durante o período da redemocratização de boa parte de nossos países, há cerca de três décadas e meia atrás. Por sua vez, a crise da representação política no mundo é uma brecha para as ameaças a nossas democracias fragilizadas, uma vez que essa insatisfação popular pode se converter em um perigoso caldo para a ideologia fascista, alimentada por grupúsculos religiosos mancomunados com especuladores financeiros e setores empresariais. Foi diante deste cenário convulsivo que irrompeu a pandemia na América Latina!
Desde a chegada dos europeus no continente americano, o assombro, em sua mistura de repugnância e maravilhamento, é uma experiência associada às nossas terras. O deslumbramento com a natureza exuberante e a relação telúrica dos nativos, somado à ojeriza de algumas de suas práticas consideradas bárbaras, é recorrente nos textos dos “cronistas das Índias”. A ausência de palavras precisas para descrever o Novo Mundo foi um dos principais sintomas do choque de civilizações, oriundo do contato entre os povos ameríndios e europeus. Um vazio de palavras e um silêncio divino, ou seja, uma afasia generalizada para ambos os lados diante deste traumático encontro.
Portanto, a estupefação sempre foi uma atitude associada à singularidade (latino-)americana, em seu dúbio entre-lugar seccionado entre o Ocidente, as culturas indígenas, africanas e asiáticas no advento da modernidade. A pandemia, ao trazer distopias imaginárias para o plano da realidade, evidenciou uma experiência essencialmente (latino-)americana a nível planetário, mas sem o risco de cair no exotismo. A palavra “perplexidade” provém do Latim que significa intensamente dobrado. Estar perplexo remete a um corpo extremamente dobrado, vergado sobre si, como sinal de inação, passividade, aturdimento, desorientação. A dobra é uma das características do Barroco, em seu esforço constante de arredondar as formas e evitar as linhas retas, constitutivo de um jogo contínuo do emaranhado entre o exterior e o interior. Um universo dilacerado entre os tormentos da alma e as delícias do corpo, entre a exuberância do poder e a sua derrisão pelo escárnio popular, faz do homem barroco um ser, por definição, perplexo. É esta perplexidade barroca que, segundo vários autores, talvez seja a maior contribuição ao pensamento que a América Latina legou à humanidade. Teria a pandemia, embora iniciada na China, transformado a todos nós em latino-americanos?
Objetivos
Diante deste estupefato cenário, a arte e o audiovisual da América Latina supostamente estejam melhor preparados para dar conta desse vazio de perspectivas e dilaceramento emocional. Ou talvez seja mais um otimismo vazio, uma vez que estamos diante de algo que a expressa maioria da população mundial jamais vivenciou antes. De qualquer forma, o nosso desafio é refletir se o audiovisual e a arte latino-americana contemporânea estão dando conta das convulsões sociais e políticas atualmente em curso na América Latina. As nossas obras audiovisuais refletem este cenário e propõem reflexões aos desafios atuais?
As recentes pesquisas em âmbito acadêmico, em sua multiplicidade de temas e procedimentos teórico-metodológicos, propõem um estudo amplo e complexo do fenômeno audiovisual e artístico na América Latina. Assim, o curso de extensão proposto pelo COCAAL 2021 – Colóquio de Cinema e Arte da América Latina, em seu formato interinstitucional em âmbito internacional e de modo remoto, propõe refletir a perplexidade contemporânea como uma ação não contemplativa, mas como uma força propositiva, pois cremos na junção das potências do pensamento e da criação artística.
As universidades que conceberam e participam do curso de extensão são: Universidade Federal de São Paulo, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal da Integração Latino-americana, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Espirito Santo, Universidade do Estado da Bahia, Universidade de São Paulo, Universidade de Buenos Aires, Universidade Autônoma Metropolitana de México, Universidade Nacional Autônoma de México, Escola Superior Politécnica do Litoral.
Responsáveis pedagógicos gerais: Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos e Marina Soler Jorge
Responsáveis pedagógicos específicos: todos os palestrantes listados.
O curso foi estruturado em 20 encontros com início no dia 26 de junho de 2021 e encerramento no dia 07 de abril de 2022. Os encontros foram gratuitos e ocorreram de 17h30 às 19h30, horário de Brasília, todas as quintas-feiras.
Conteúdo programático
Data: 26/06/2021
Abertura (Aula 1): Guilherme Maia de Jesus (UFBA), Yanet Aguilera (UNIFESP) e Paola Ribeiro (artista convidada)
Tema: Perplexidades Contemporâneas: O que podem a arte e o audiovisual da América Latina em tempos de pandemia? (Veja no YouTube) Mediador: Mauricio de Brangança (UFF) Debatedor: Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF) Equipe técnica: Victória Holzapfel (UNIFESP) e Wellington de Souza Silva (UNIFESP)
Data: 01/07/2021
Aula 2: Ministrada por Ismail Xavier (USP) e Ana Laura Lusnich (UBA)
Tema: O audiovisual em tempo de pandemia (Veja no YouTube) Mediador: Álvaro Vazquez Mantecón (UAM)
Debatedora: Regina Lucia Gomes Souza e Silva (UFBA) Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Lívia Souza Alves (UNIFESP)
Data: 15/07/2021
Aula 3: Ministradas por Esther Hamburger (USP), Karla Holanda (UFF), Catarina Almeida (UFF), Hanna Esperança (UFSCAR), Lívia Perez (USP) e Sophia Pinheiro (UFF) (jovens pesquisadoras convidadas)
Tema: Mulheres no Cinema – Estado da Arte (Veja no YouTube)
Nos últimos anos, pesquisas relacionadas a mulheres no cinema vêm aumentando de forma inequívoca. O que faz com que, de tempos em tempos, surjam ondas que reacendem o debate em torno da mulher na sociedade? O que pode ser feito para que este momento não seja somente mais uma onda? Para isso, esta aula se propõe a discutir o assunto, tendo como ponto de partida quatro recentes pesquisas sobre mulheres no cinema. | Mediadora: Marina Soler Jorge (UNIFESP) | Debatedora: Esthel Vogrig Nardini (UAM) | Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Lívia Souza Alves (UNIFESP).
Data: 05/08/2021
Aula 4: Ministrada por Fábio Rodrigues (Brasil) e Noé Martinez (México)
Título: Latinidades afro-ameríndias (Veja no YouTube)
Os artistas Noé Martínez (México) e Fábio Rodrigues (Brasil) propõe o esgarçamento das narrativas históricas de seus países a partir de experiências audiovisuais, formas experimentais que não se esgotam em si mesmas, mas que compõe pensamentos em curso, trabalhos em processo em que os gestos, a fala, as montagens, o arquivo, a memória circulam e incidem sobre as possibilidades de novas narrativas. Em Las cosas vividas antes de nacer, Noé Martínez entrecruza sua história e de sua família com narrativas do passado indígena, misturando o cotidiano de sua comunidade husteca com diversos eventos do México colonial do século XVI através das notícias dadas pelo rádio. Fábio Rodrigues apresentará seu atual trabalho, ainda em curso, um filme montagem sobre a relação do ator Grande Otelo com o personagem literário Macunaíma, de modo a repensar o segundo pelas provocações do primeiro. Mediador: Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Debatedora: Priscila Miraz de Freitas Grecco (UFRB)
Equipe Técnica: Lívia Souza Alves (UNIFESP) e Maria Victoria Mathias Holzapfel (UNIFESP)
Data: 19/08/2021
Aula 5: Ministrada por Everlane Moraes, Juh Almeida, Heraldo de Deus e Vilma Martins
Tema: Latinidades afro-ameríndias (Veja no YouTube)
Uma conversa com Everlane Moraes, Juh Almeida, Heraldo de Deus e Vilma Martins, jovens realizadorxs da Bahia com graduação em faculdades públicas de cinema e de artes visuais implementadas no âmbito das políticas afirmativas dos governos petistas de Luís Ignácio Lula da Sílva e Dilma Roussef. Mixando realização audiovisual com ativismo, religiosidade, memória estética, política, corpo e experiência acadêmica, as obras de Juh, Everlane, Vilma e Heraldo se confundem com suas próprias vidas e expressam em formas ficcionais, documentais, experimentais e poéticas, vivências e narrativas negras e LGBTQIA+ Mediadora: Morgana Gama de Lima (UFRB | UFBA)
Debatedor: Guilherme Maia de Jesus (UFBA)
Equipe técnica: Maria Victoria Mathias Holzapfel (UNIFESP) e Wellington de Souza Silva (UNIFESP)
Data: 02/09/2021
Aula 6: Ministrada por Denise Tavares (UFF), Fábio Camarneiro (UFES) e Nina Fabico (UFF)
Tema: Cinemas e Levantes! (Veja no YouTube)
Em um continente marcado pelo soterramento dos levantes daquelas e daqueles que não aceitaram ou se intimidaram com as violências de estado e/ou das elites “poderosas”, o cinema e as artes têm construído um fértil diálogo constituindo, deste modo, uma cartografia vigorosa das insurgências. Debater essa travessia, considerando alguns filmes-marcos que constelam estratégias de representação, imaginários e memória é a proposta desse Encontro que também pretende, em especial, problematizar a persistência de invisibilidades e seu oposto, o que, a nosso ver, parece sugerir, ainda, uma significativa dificuldade de equilibrarmos/reconhecermos protagonismos.
Mediador: Miguel Alfonso Bouhaben (ESPOL)
Debatedor: Fernando Rodrigues Frias (USP)
Equipe técnica: Vivian Belloto (UNIFESP) e Luís Fernando Beloto (UNIFESP)
Data: 16/09/202
Aula 7: Ministrada por Ivan Pinto (Universidade do Chile), Miguel Alfonso Bouhaben (ESPOL-EQUADOR) y Sergio Zapata (UMSA-BOLÍVIA)
Tema: Práctica de resistencia audiovisual en octubre de 2019. Chile, Bolivia y Ecuador (Veja no YouTube)
Exponer, valorar y dialogar sobre el papel del cine documental militante y el videoactivismo durante las revueltas acaecidas en octubre de 2019 en el Estallido Social de Chile, la Primavera Boliviana y el Paro Nacional del Ecuador. Mediadora: Denise Tavares (UFF)
Debatedor: Luís Fernando Beloto (UNIFESP)
Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Wellington de Souza Silva (UNIFESP)
Data: 07/10/2021
Aula 8: Ministrada por Esther Hamburger (USP), Karla Holanda (UFF), Katia Maciel (USP) e Roberta Barros (UFF) (Artistas-pesquisadoras convidadas)
Tema: Mulheres no cinema e nas artes (Veja no YouTube)
O cinema e as artes têm uma histórica aproximação, desde os primórdios do cinema, passando por momentos-chave na primeira metade do século XX, ao momento da vídeoarte no Brasil (anos 1970). A presença das mulheres nessa intercessão, costumeiramente menos rentável, sempre foi significativa, embora recheada de tradicionais percalços. Para ampliar a discussão, convidamos as artistas/pesquisadoras Roberta Barros, que trará maior visão ao campo das artes, desde as obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral à Anna Maria Maiolino, e Katia Maciel, que discutirá, sobretudo, suas obras de videoinstalação. Mediadora: Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Debatedora: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP)
Equipe técnica: Maria Victoria Mathias Holzapfel (UNIFESP) e Vivian Belloto (UNIFESP)
Data: 21/10/2021
Aula 9: Ministrada por Silvana Flores (UBA), Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB), Francisco Javier Ramírez Miranda (UNAM) y Pablo Piedras (UBA)
Tema: Pasado y presente de las cinematografías regionales: Argentina, Brasil y México (Veja no YouTube)
La historiografía cinematográfica se ha caracterizado por su carácter centralista, abocándose en gran medida a la producción surgida de las grandes ciudades capitales de nuestros países. El propósito de esta reunión es trazar un panorama de los cines gestados por fuera de los grandes centros urbanos, conociendo las realidades y las tradiciones cinematográficas en clave regional.
Mediadora: Ana Laura Lusnich (UBA)
Debatedor: Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)
Equipe técnica: Vivian Belloto (UNIFESP), Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Data: 04/11/2021
Aula 10: Ministrada por Francieli Rebelatto (UNILA), Maurício de Bragança (UFF) e Antonio Tunico Amancio (UFF)
Tema: Cinema de Fronteiras I (Veja no YouTube)
As fronteiras entre os países são espaços marcados por um grande fluxo de pessoas e mercadorias, além de uma intensa troca cultural. Os movimentos diaspóricos reconfiguram constantemente estes espaços, através de dinâmicas marcadas pelo trânsito e contenção. O cinema sempre reservou uma atenção especial para as narrativas em torno das fronteiras, indicando que estes marcos limítrofes, além de sua inscrição geopolítica possuem também uma dimensão simbólica capaz de construir imaginários coletivos em torno desses territórios. Esta aula pretende problematizar o conceito de fronteira a partir de diversas abordagens deste espaço pelo cinema. Mediadora: Priscila Miraz de Freitas Grecco (UFRB)
Debatedora: Marina Soler Jorge (UNIFESP)
Equipe técnica: Vivian Berto de Castro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 18/11/2021
Aula 11: Ministrada por Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF) e Maria Aimaretti (UBA)
Tema: Arquivos Audiovisuais Latino-Americanos: memória e difusão na crise contemporânea da história (Veja no YouTube)
A crise da modernidade instalou uma crise do pensamento histórico e, por conseguinte, dos arquivos. O conceito de patrimônio advém com a modernidade, fruto das revoluções liberais, e não, por acaso, tal ideia é posta em prática por arquivos gerais e bibliotecas nacionais, que possuem um papel chave na construção das identidades nacionais ao longo do século XIX. O conceito de patrimônio remete a uma “retórica da perda”, a um discurso próprio de sociedades que possuem uma autoconsciência histórica, sociedades que se pensam dentro da História, conscientes do caráter efêmero de tudo o que a constituem, devido ao acelerado grau de desenvolvimento tecnológico e da dinâmica do capital. Ao longo do século XX, a ideia de Estado-nação e de identidades nacionais foram postas em xeque em conjunto com uma concepção de história linear constitutiva da modernidade, que postulava uma ideia de progresso em direção ao futuro, a partir de parâmetros civilizatórios herdados do passado. A contemporaneidade implodiu o pensamento histórico, acarretando uma perplexidade generalizada, devido à ausência de futuro, provocando uma veia saudosista, aos nos transformar em “seduzidos pela memória”. Hoje em dia, o conceito de patrimônio se multiplicou, pois tudo pode adquirir este status, e talvez nunca se falou tanto em memória como atualmente, ao convertê-la em um campo de disputa. Os arquivos audiovisuais, em geral, se constituíram ao longo do século XX como algo distinto, devido ao discurso cinefílico e à singularidade dos documentos audiovisuais, o que acarretou uma nova concepção patrimonialista e arquivística para dar conta destas obras. Diante à crise contemporânea de história, qual é a resposta dos arquivos audiovisuais? Os arquivos audiovisuais latino-americanos estão preparados para os desafios da contemporaneidade, com os dilemas digitais e as disputas no campo da memória?
Mediadora: Silvana Noelia Flores (UBA)
Debatedora: Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Equipe Técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 02/12/2021
Aula 12: Ministrada por Danna Alexandra Levin Rojo (UAM), Mauricio de Bragança (UFF), Fernando Gachuz Fuente (UAM) e Violeta Rodriguez Garcia (UAM)
Tema: Cine de Fronteras II (Veja no YouTube)
Las fronteras entre países son espacios marcados por un gran flujo de personas y mercancías, además de un intenso intercambio cultural. Los movimientos diaspóricos reconfiguran constantemente estos espacios, a través de dinámicas marcadas por el desplazamiento y la contención. El cine siempre ha reservado especial atención a las narrativas alrededor de las fronteras, indicando que estos límites fronterizos, además de su inscripción geopolítica, también tienen una dimensión simbólica capaz de construir un imaginario colectivo en torno a estos territorios. Esta clase pretende problematizar el concepto de frontera desde diferentes enfoques de este espacio a través del cine. Mediadora: Nina Fabico (UFF)
Debatedores: Francieli Rebelato (UNILA) e Noé Martínez (México)
Equipe técnica: Eduardo Meciano Rezende (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 16/12/2021
Aula 13: Ministrada por Ana Paula Nunes de Abreu (UFRB) e Rosa Miranda (UFF)
Tema: Cinema e Educação (Veja no YouTube)
A aula tem como objetivo refletir sobre a inter-relação cinema, audiovisual e educação no Brasil, sobre o que pensam a América Latina e sobre a Descolonização do Olhar. Mediador: Alexandre Guerreiro (UFRJ)
Debatedora: Eliany Salvatierra Machado (UFF)
Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 20/01/2022
Aula 14: Ministrada por Álvaro Vazquez Mantecón (UAM) Afrânio Mendes Catani (USP) y Ignacio del Valle (UNILA), Mariana Villaça (UNIFESP) e Adrien Charlois
Tema: Cine e Historia (Veja no YouTube) En esta clase se revisará la manera en que los medios como el cine y la televisión se han ocupado de las representaciones del pasado en América Latina. Se destacará su papel decisivo en la formación de identidades nacionales y memoria cultural. Como diría Marc Ferro, las películas y series televisivas sobre el pasado constituyen una suerte de museo del imaginario contemporáneo. En ellas se muestra, pero también se omite. El análisis de las narrativas pondrá atención en la manera que estos productos generan una perspectiva sobre la historia determinada por el momento en que se realizan. Otra de las premisas es observar la intermedialidad y la remedialidad que conforman los discursos mediáticos sobre el pasado como producto de circulación de ideas, imágenes y conceptos a través de diversos soportes como el cine, la pintura y la fotografía. También se estudiará cómo se producen esos procesos entre diferentes países de América Latina. Mediadora: Carolina Amaral Debatedor: Israel Rodríguez Equipe Técnica: Luís Fernando Beloto (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 27/01/2022
Aula 15: Ministrada por Luna Maran (Jeqo) y Diana Garay Viñas y otras miembras de Apertura.
Tema: Prácticas cinematográficas con enfoque feminista en México: dos perspectivas (Veja no YouTube)
Un diálogo entre dos proyectos mexicanos de prácticas cinematográficas con enfoque feminista : “Apertura”, un colectivo de mujeres cinefotógrafas en el cine y “JEQO”, un espacio de aprendizaje autogestivo de cine comunitario feminista del Abya Yala. ¿Cómo están cambiando las maneras de producir y distribuir cine desde proyectos con un enfoque femenino/feminista? ¿Cuál es la necesidad de este tipo de iniciativas? ¿De qué maneras contribuyen a la industria cinematográfica actual? ¿Cómo se desplaza el rol clásico del autor en propuestas colectivas de acción y producción? ¿Se ha sacudido el panorama cinematográfico en México a raíz de la intensificación de las epistemologías feministas y de sus movimientos?
Mediadora: Esthel Vogrig Nardini (UAM)
Debatedora: Lizbeth Espinosa Pacheco (UDLAP)
Equipe Técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Data: 03/02/2022
Aula 16: Ministrada por Andrea C. Scansani (UFSC) Marina Soler (UNIFEP) e Yanet Aguilera (UNIFESP).
Tema: Uma ilha rodeada de terras: o ostracismo paraguaio na história do cinema latino-americano (Veja no YouTube)
Como seria a história do cinema latino-americano se pudéssemos escrevê-la a partir das obras que nunca puderam ser feitas? Daqueles roteiros, ou mesmo argumentos que, por terem nascido à sombra das violentas ditaduras, não floresceram, foram esterilizados à força, castrados? E se dentro desta nova e utópica historiografia pudéssemos resgatar aqueles poucos filmes que, quando nascidos, foram logo sufocados e esquartejados em inúmeras latas para nunca mais serem abertas? Jean-Claude Bernardet, ao comentar Você também pode dar um presunto legal (1970-2006) de Sergio Muniz, diz: “Você demonstra uma coragem e uma liberdade na feitura do filme que me fazem pensar que se teus filmes tivessem circulado mais e se você tivesse feito mais filmes, a história do documentário brasileiro poderia ser diferente”. Se a afirmação é trágica para pensarmos o que não foi possível ser visto na vasta filmografia brasileira, imaginemos essa mesma verdade em países em que uma única obra, ao entrar no esquecimento compulsório, pode significar o apagamento de uma ou mais gerações. Assim sendo, a aula aqui proposta tem como objetivo voltar-se para a pequena “ilha rodeada de terras” (nas palavras de seu poeta Roa Bastos) num esforço de preencher algumas lacunas da história do cinema paraguaio, particularmente a produção do Grupo Cine Arte Experimental idealizado por Carlos Saguier e de seu filme, restaurado em meados dos anos 2010, El pueblo (1969). Mediadora: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) Debatedora: Vivian Belloto (UNIFESP) Equipe técnica: Luís Fernando Beloto (UNIFESP) Eduardo Meciano (UNIFESP)
Data: 17/02/2022
Aula 17: Ministrada por Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP), Luís Fernando Beloto (UNIFESP) e Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Tema: Cinema e Videoarte, fronteiras borradas (Veja no YouTube)
A década de 1970 no Brasil foi marcada por uma intensa atividade tanto do cinema experimental como da videoarte. Esta efervescência não se revela apenas na realização de importantíssimas obras da cinematografia nacional, mas também é acompanhada por uma demanda de exibição dos festivais e mostras que brotavam em vários estados brasileiros. Este período também marca a chegada dos equipamentos de gravação portáteis, o Portapack, que ganham espaço e passam a ser utilizados além do filme Super 8mm pelas e pelos artistas e cineastas. Neste sentido se busca pensar as possíveis relações, intercâmbios entre as de obras de videoarte e o cinema experimental, visto que muitos artistas visuais tornaram-se presença marcante nos festivais de cinema de Super 8mm e experimental durante a década de 1970. Pretende-se, assim, dobrar, forçar, estender e problematizar as fronteiras de cada meio (cinema, Super8, vídeo…), tendo em conta como essas obras se misturavam nos festivais e mostras, como os cineastas e artistas dialogavam e como era a recepção do público nesses espaços em que as obras eram exibidas.
Mediadora: Ilma Carla Zarotti Guideroli (UNIFESP)
Debatedora: Marina Marcomini (UNIFESP)
Equipe Técnica: Vivian Belloto (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 03/03/2022
Aula 18: Ministrada por Maria Thereza Alves (artista convidada)
Tema: Conversa com a artista Maria Thereza Alves (Veja no YouTube) Mediadora: Fernanda Schenferd (UNICAMP)
Debatedora: Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Data: 17/03/2022
Aula 19: Ministrada por Patrícia Rodrigues da Silva (USP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Tema: O Cinema e a arte indígena na América Latina (Veja no YouTube)
Debate sobre a questão indígena e sobre os processos curatoriais anticoloniais em tempo de pandemia. Mediador: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP)
Debatedora: Eduardo Meciano Rezende (UNIFESP)
Equipe técnica: Vivi Belotto (UNIFESP) e Vivian Berto (UNIFESP)
Data: 07/04/2022
Aula 20: Fechamento do Curso: Paulo Arantes (USP) e Esther Hamburger (USP)
Tema: Debate sobre Bacurau (2019), de Kleber Mendonça (Veja no YouTube) Mediador: Fernando Rodrigues Frias (USP)
Debatedora: Yanet Aguilera (UNIFESP)
Equipe Técnica: Vivian Berto de Castro (UNIFESP) e Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP)