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Perplexidades Contemporâneas

Quando a pandemia estourou em 2020, houve de imediato reflexões sobre o seu significado para os rumos da humanidade. O esforço planetário no combate contra um inimigo mortal à espécie humana levantou especulações sobre a dinâmica de nossas sociedades e, sobretudo, do projeto de modernidade já posto em xeque desde o final do século passado.

Perspectivas em relação a atividades de solidariedade global, a reflexão sobre um apregoado modelo de vida e de bem-estar individual e familiar, o questionamento empírico do modelo de crescimento econômico estritamente baseado no credo neoliberal e na lógica predatória, a escuta aos avisos alarmantes sobre o impacto global das mudanças climáticas convive(ra)m com o negacionismo, o superindividualismo, a ganância desmedida, o oportunismo sórdido e o delírio fascista.

Assim, se impôs a todos nós uma realidade insólita e assustadora que até então se vislumbrava apenas nas obras distópicas da literatura, do cinema, das artes visuais e de outras manifestações artísticas. De repente, um contraditório universo fictício criado pela arte, em sua mistura de esperança e pesadelo, revelou-se mais real e premente do que nunca.

No entanto, todos esses aspectos atingiram a América Latina em uma convulsiva conjuntura. Antes da pandemia, o nosso continente já estava passando por um conturbado processo. Na década de 2010, as forças neoconservadoras começam a se sobrepujar no cenário continental, com a vitória de Macri na Argentina e a derrubada de Zelaya em Honduras, Lugo no Paraguai, e os impeachments Dilma no Brasil e Morales na Bolívia. Por sua vez, o (narco)paramilitarismo como força política, até então hegemônico na Colômbia, é um fenômeno que se espraia em toda a América Latina. Assim, o autoritarismo entranhado em nossas sociedades manifesta a sua face mais perversa ao esgarçar a crise do progressismo até então em curso. A politização do Judiciário toma força, pois possui um papel chave nesta crise, seja de modo explicitamente partidário como no Brasil ou supostamente apartidário como no Peru, ao estimular o ódio popular à figura do “político corrupto”, apresentando-o como um inimigo a ser abatido e não um cidadão a ser julgado. Insurgências populares tomam de assalto as ruas do Chile, Equador, Bolívia e Haiti.

Tais levantes canalizam a insatisfação com um modelo social e jurídico-político que, em alguns casos, há décadas beneficia uma ínfima parcela da sociedade dentro da democracia formal. Assim, a crise do progressismo aflora antigas estruturas que evidenciam o jogo político posto em prática durante o período da redemocratização de boa parte de nossos países, há cerca de três décadas e meia atrás. Por sua vez, a crise da representação política no mundo é uma brecha para as ameaças a nossas democracias fragilizadas, uma vez que essa insatisfação popular pode se converter em um perigoso caldo para a ideologia fascista, alimentada por grupúsculos religiosos mancomunados com especuladores financeiros e setores empresariais. Foi diante deste cenário convulsivo que irrompeu a pandemia na América Latina!

Desde a chegada dos europeus no continente americano, o assombro, em sua mistura de repugnância e maravilhamento, é uma experiência associada às nossas terras. O deslumbramento com a natureza exuberante e a relação telúrica dos nativos, somado à ojeriza de algumas de suas práticas consideradas bárbaras, é recorrente nos textos dos “cronistas das Índias”. A ausência de palavras precisas para descrever o Novo Mundo foi um dos principais sintomas do choque de civilizações, oriundo do contato entre os povos ameríndios e europeus. Um vazio de palavras e um silêncio divino, ou seja, uma afasia generalizada para ambos os lados diante deste traumático encontro.

Portanto, a estupefação sempre foi uma atitude associada à singularidade (latino-)americana, em seu dúbio entre-lugar seccionado entre o Ocidente, as culturas indígenas, africanas e asiáticas no advento da modernidade. A pandemia, ao trazer distopias imaginárias para o plano da realidade, evidenciou uma experiência essencialmente (latino-)americana a nível planetário, mas sem o risco de cair no exotismo. A palavra “perplexidade” provém do Latim que significa intensamente dobrado. Estar perplexo remete a um corpo extremamente dobrado, vergado sobre si, como sinal de inação, passividade, aturdimento, desorientação. A dobra é uma das características do Barroco, em seu esforço constante de arredondar as formas e evitar as linhas retas, constitutivo de um jogo contínuo do emaranhado entre o exterior e o interior. Um universo dilacerado entre os tormentos da alma e as delícias do corpo, entre a exuberância do poder e a sua derrisão pelo escárnio popular, faz do homem barroco um ser, por definição, perplexo. É esta perplexidade barroca que, segundo vários autores, talvez seja a maior contribuição ao pensamento que a América Latina legou à humanidade. Teria a pandemia, embora iniciada na China, transformado a todos nós em latino-americanos?

Objetivos

Diante deste estupefato cenário, a arte e o audiovisual da América Latina supostamente estejam melhor preparados para dar conta desse vazio de perspectivas e dilaceramento emocional. Ou talvez seja mais um otimismo vazio, uma vez que estamos diante de algo que a expressa maioria da população mundial jamais vivenciou antes. De qualquer forma, o nosso desafio é refletir se o audiovisual e a arte latino-americana contemporânea estão dando conta das convulsões sociais e políticas atualmente em curso na América Latina. As nossas obras audiovisuais refletem este cenário e propõem reflexões aos desafios atuais?

As recentes pesquisas em âmbito acadêmico, em sua multiplicidade de temas e procedimentos teórico-metodológicos, propõem um estudo amplo e complexo do fenômeno audiovisual e artístico na América Latina. Assim, o curso de extensão proposto pelo COCAAL 2021 – Colóquio de Cinema e Arte da América Latina, em seu formato interinstitucional em âmbito internacional e de modo remoto, propõe refletir a perplexidade contemporânea como uma ação não contemplativa, mas como uma força propositiva, pois cremos na junção das potências do pensamento e da criação artística.

As universidades que conceberam e participam do curso de extensão são: Universidade Federal de São Paulo, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal da Integração Latino-americana, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Espirito Santo, Universidade do Estado da Bahia, Universidade de São Paulo, Universidade de Buenos Aires, Universidade Autônoma Metropolitana de México, Universidade Nacional Autônoma de México, Escola Superior Politécnica do Litoral.

Responsáveis pedagógicos gerais: Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos e Marina Soler Jorge
Responsáveis pedagógicos específicos: todos os palestrantes listados.

O curso foi estruturado em 20 encontros com início no dia 26 de junho de 2021 e encerramento no dia 07 de abril de 2022. Os encontros foram gratuitos e ocorreram de 17h30 às 19h30, horário de Brasília, todas as quintas-feiras.

Conteúdo programático

Data: 26/06/2021

Abertura (Aula 1): Guilherme Maia de Jesus (UFBA), Yanet Aguilera (UNIFESP) e Paola Ribeiro (artista convidada)
Tema: Perplexidades Contemporâneas: O que podem a arte e o audiovisual da América Latina em tempos de pandemia? (Veja no YouTube) Mediador: Mauricio de Brangança (UFF) Debatedor: Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF) Equipe técnica: Victória Holzapfel (UNIFESP) e Wellington de Souza Silva (UNIFESP)

Data: 01/07/2021

Aula 2: Ministrada por Ismail Xavier (USP) e Ana Laura Lusnich (UBA)
Tema: O audiovisual em tempo de pandemia (Veja no YouTube) Mediador: Álvaro Vazquez Mantecón (UAM)
Debatedora: Regina Lucia Gomes Souza e Silva (UFBA) Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Lívia Souza Alves (UNIFESP)

Data: 15/07/2021

Aula 3: Ministradas por Esther Hamburger (USP), Karla Holanda (UFF), Catarina Almeida (UFF), Hanna Esperança (UFSCAR), Lívia Perez (USP) e Sophia Pinheiro (UFF) (jovens pesquisadoras convidadas)
Tema: Mulheres no Cinema – Estado da Arte (Veja no YouTube)
Nos últimos anos, pesquisas relacionadas a mulheres no cinema vêm aumentando de forma inequívoca. O que faz com que, de tempos em tempos, surjam ondas que reacendem o debate em torno da mulher na sociedade? O que pode ser feito para que este momento não seja somente mais uma onda? Para isso, esta aula se propõe a discutir o assunto, tendo como ponto de partida quatro recentes pesquisas sobre mulheres no cinema. | Mediadora: Marina Soler Jorge (UNIFESP) | Debatedora: Esthel Vogrig Nardini (UAM) | Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Lívia Souza Alves (UNIFESP).

Data: 05/08/2021

Aula 4: Ministrada por Fábio Rodrigues (Brasil) e Noé Martinez (México)
Título: Latinidades afro-ameríndias (Veja no YouTube)
Os artistas Noé Martínez (México) e Fábio Rodrigues (Brasil) propõe o esgarçamento das narrativas históricas de seus países a partir de experiências audiovisuais, formas experimentais que não se esgotam em si mesmas, mas que compõe pensamentos em curso, trabalhos em processo em que os gestos, a fala, as montagens, o arquivo, a memória circulam e incidem sobre as possibilidades de novas narrativas. Em Las cosas vividas antes de nacer, Noé Martínez entrecruza sua história e de sua família com narrativas do passado indígena, misturando o cotidiano de sua comunidade husteca com diversos eventos do México colonial do século XVI através das notícias dadas pelo rádio. Fábio Rodrigues apresentará seu atual trabalho, ainda em curso, um filme montagem sobre a relação do ator Grande Otelo com o personagem literário Macunaíma, de modo a repensar o segundo pelas provocações do primeiro. Mediador: Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Debatedora: Priscila Miraz de Freitas Grecco (UFRB)
Equipe Técnica: Lívia Souza Alves (UNIFESP) e Maria Victoria Mathias Holzapfel (UNIFESP)

Data: 19/08/2021

Aula 5: Ministrada por Everlane Moraes, Juh Almeida, Heraldo de Deus e Vilma Martins
Tema: Latinidades afro-ameríndias (Veja no YouTube)
Uma conversa com Everlane Moraes, Juh Almeida, Heraldo de Deus e Vilma Martins, jovens realizadorxs da Bahia com graduação em faculdades públicas de cinema e de artes visuais implementadas no âmbito das políticas afirmativas dos governos petistas de Luís Ignácio Lula da Sílva e Dilma Roussef. Mixando realização audiovisual com ativismo, religiosidade, memória estética, política, corpo e experiência acadêmica, as obras de Juh, Everlane, Vilma e Heraldo se confundem com suas próprias vidas e expressam em formas ficcionais, documentais, experimentais e poéticas, vivências e narrativas negras e LGBTQIA+ Mediadora: Morgana Gama de Lima (UFRB | UFBA)
Debatedor: Guilherme Maia de Jesus (UFBA)
Equipe técnica: Maria Victoria Mathias Holzapfel (UNIFESP) e Wellington de Souza Silva (UNIFESP)

Data: 02/09/2021

Aula 6: Ministrada por Denise Tavares (UFF), Fábio Camarneiro (UFES) e Nina Fabico (UFF)
Tema: Cinemas e Levantes! (Veja no YouTube)
Em um continente marcado pelo soterramento dos levantes daquelas e daqueles que não aceitaram ou se intimidaram com as violências de estado e/ou das elites “poderosas”, o cinema e as artes têm construído um fértil diálogo constituindo, deste modo, uma cartografia vigorosa das insurgências. Debater essa travessia, considerando alguns filmes-marcos que constelam estratégias de representação, imaginários e memória é a proposta desse Encontro que também pretende, em especial, problematizar a persistência de invisibilidades e seu oposto, o que, a nosso ver, parece sugerir, ainda, uma significativa dificuldade de equilibrarmos/reconhecermos protagonismos.

Mediador: Miguel Alfonso Bouhaben (ESPOL)
Debatedor: Fernando Rodrigues Frias (USP)
Equipe técnica: Vivian Belloto (UNIFESP) e Luís Fernando Beloto (UNIFESP)

Data: 16/09/202

Aula 7: Ministrada por Ivan Pinto (Universidade do Chile), Miguel Alfonso Bouhaben (ESPOL-EQUADOR) y Sergio Zapata (UMSA-BOLÍVIA)
Tema: Práctica de resistencia audiovisual en octubre de 2019. Chile, Bolivia y Ecuador (Veja no YouTube)
Exponer, valorar y dialogar sobre el papel del cine documental militante y el videoactivismo durante las revueltas acaecidas en octubre de 2019 en el Estallido Social de Chile, la Primavera Boliviana y el Paro Nacional del Ecuador. Mediadora: Denise Tavares (UFF)
Debatedor: Luís Fernando Beloto (UNIFESP)
Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Wellington de Souza Silva (UNIFESP)

Data: 07/10/2021

Aula 8: Ministrada por Esther Hamburger (USP), Karla Holanda (UFF), Katia Maciel (USP) e Roberta Barros (UFF) (Artistas-pesquisadoras convidadas)
Tema: Mulheres no cinema e nas artes (Veja no YouTube)
O cinema e as artes têm uma histórica aproximação, desde os primórdios do cinema, passando por momentos-chave na primeira metade do século XX, ao momento da vídeoarte no Brasil (anos 1970). A presença das mulheres nessa intercessão, costumeiramente menos rentável, sempre foi significativa, embora recheada de tradicionais percalços. Para ampliar a discussão, convidamos as artistas/pesquisadoras Roberta Barros, que trará maior visão ao campo das artes, desde as obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral à Anna Maria Maiolino, e Katia Maciel, que discutirá, sobretudo, suas obras de videoinstalação. Mediadora: Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Debatedora: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP)
Equipe técnica: Maria Victoria Mathias Holzapfel (UNIFESP) e Vivian Belloto (UNIFESP)

Data: 21/10/2021

Aula 9: Ministrada por Silvana Flores (UBA), Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB), Francisco Javier Ramírez Miranda (UNAM) y Pablo Piedras (UBA)
Tema: Pasado y presente de las cinematografías regionales: Argentina, Brasil y México (Veja no YouTube)
La historiografía cinematográfica se ha caracterizado por su carácter centralista, abocándose en gran medida a la producción surgida de las grandes ciudades capitales de nuestros países. El propósito de esta reunión es trazar un panorama de los cines gestados por fuera de los grandes centros urbanos, conociendo las realidades y las tradiciones cinematográficas en clave regional.

Mediadora: Ana Laura Lusnich (UBA)
Debatedor: Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)
Equipe técnica: Vivian Belloto (UNIFESP), Vivian Berto de Castro (UNIFESP)

Data: 04/11/2021

Aula 10: Ministrada por Francieli Rebelatto (UNILA), Maurício de Bragança (UFF) e Antonio Tunico Amancio (UFF)
Tema: Cinema de Fronteiras I (Veja no YouTube)
As fronteiras entre os países são espaços marcados por um grande fluxo de pessoas e mercadorias, além de uma intensa troca cultural. Os movimentos diaspóricos reconfiguram constantemente estes espaços, através de dinâmicas marcadas pelo trânsito e contenção. O cinema sempre reservou uma atenção especial para as narrativas em torno das fronteiras, indicando que estes marcos limítrofes, além de sua inscrição geopolítica possuem também uma dimensão simbólica capaz de construir imaginários coletivos em torno desses territórios. Esta aula pretende problematizar o conceito de fronteira a partir de diversas abordagens deste espaço pelo cinema. Mediadora: Priscila Miraz de Freitas Grecco (UFRB)
Debatedora: Marina Soler Jorge (UNIFESP)
Equipe técnica: Vivian Berto de Castro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 18/11/2021

Aula 11: Ministrada por Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF) e Maria Aimaretti (UBA)
Tema: Arquivos Audiovisuais Latino-Americanos: memória e difusão na crise contemporânea da história (Veja no YouTube)
A crise da modernidade instalou uma crise do pensamento histórico e, por conseguinte, dos arquivos. O conceito de patrimônio advém com a modernidade, fruto das revoluções liberais, e não, por acaso, tal ideia é posta em prática por arquivos gerais e bibliotecas nacionais, que possuem um papel chave na construção das identidades nacionais ao longo do século XIX. O conceito de patrimônio remete a uma “retórica da perda”, a um discurso próprio de sociedades que possuem uma autoconsciência histórica, sociedades que se pensam dentro da História, conscientes do caráter efêmero de tudo o que a constituem, devido ao acelerado grau de desenvolvimento tecnológico e da dinâmica do capital. Ao longo do século XX, a ideia de Estado-nação e de identidades nacionais foram postas em xeque em conjunto com uma concepção de história linear constitutiva da modernidade, que postulava uma ideia de progresso em direção ao futuro, a partir de parâmetros civilizatórios herdados do passado. A contemporaneidade implodiu o pensamento histórico, acarretando uma perplexidade generalizada, devido à ausência de futuro, provocando uma veia saudosista, aos nos transformar em “seduzidos pela memória”. Hoje em dia, o conceito de patrimônio se multiplicou, pois tudo pode adquirir este status, e talvez nunca se falou tanto em memória como atualmente, ao convertê-la em um campo de disputa. Os arquivos audiovisuais, em geral, se constituíram ao longo do século XX como algo distinto, devido ao discurso cinefílico e à singularidade dos documentos audiovisuais, o que acarretou uma nova concepção patrimonialista e arquivística para dar conta destas obras. Diante à crise contemporânea de história, qual é a resposta dos arquivos audiovisuais? Os arquivos audiovisuais latino-americanos estão preparados para os desafios da contemporaneidade, com os dilemas digitais e as disputas no campo da memória?

Mediadora: Silvana Noelia Flores (UBA)
Debatedora: Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Equipe Técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 02/12/2021

Aula 12: Ministrada por Danna Alexandra Levin Rojo (UAM), Mauricio de Bragança (UFF), Fernando Gachuz Fuente (UAM) e Violeta Rodriguez Garcia (UAM)
Tema: Cine de Fronteras II (Veja no YouTube)
Las fronteras entre países son espacios marcados por un gran flujo de personas y mercancías, además de un intenso intercambio cultural. Los movimientos diaspóricos reconfiguran constantemente estos espacios, a través de dinámicas marcadas por el desplazamiento y la contención. El cine siempre ha reservado especial atención a las narrativas alrededor de las fronteras, indicando que estos límites fronterizos, además de su inscripción geopolítica, también tienen una dimensión simbólica capaz de construir un imaginario colectivo en torno a estos territorios. Esta clase pretende problematizar el concepto de frontera desde diferentes enfoques de este espacio a través del cine. Mediadora: Nina Fabico (UFF)
Debatedores: Francieli Rebelato (UNILA) e Noé Martínez (México)
Equipe técnica: Eduardo Meciano Rezende (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 16/12/2021

Aula 13: Ministrada por Ana Paula Nunes de Abreu (UFRB) e Rosa Miranda (UFF)
Tema: Cinema e Educação (Veja no YouTube)
A aula tem como objetivo refletir sobre a inter-relação cinema, audiovisual e educação no Brasil, sobre o que pensam a América Latina e sobre a Descolonização do Olhar. Mediador: Alexandre Guerreiro (UFRJ)
Debatedora: Eliany Salvatierra Machado (UFF)
Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 20/01/2022

Aula 14: Ministrada por Álvaro Vazquez Mantecón (UAM) Afrânio Mendes Catani (USP) y Ignacio del Valle (UNILA), Mariana Villaça (UNIFESP) e Adrien Charlois
Tema: Cine e Historia (Veja no YouTube) En esta clase se revisará la manera en que los medios como el cine y la televisión se han ocupado de las representaciones del pasado en América Latina. Se destacará su papel decisivo en la formación de identidades nacionales y memoria cultural. Como diría Marc Ferro, las películas y series televisivas sobre el pasado constituyen una suerte de museo del imaginario contemporáneo. En ellas se muestra, pero también se omite. El análisis de las narrativas pondrá atención en la manera que estos productos generan una perspectiva sobre la historia determinada por el momento en que se realizan. Otra de las premisas es observar la intermedialidad y la remedialidad que conforman los discursos mediáticos sobre el pasado como producto de circulación de ideas, imágenes y conceptos a través de diversos soportes como el cine, la pintura y la fotografía. También se estudiará cómo se producen esos procesos entre diferentes países de América Latina. Mediadora: Carolina Amaral Debatedor: Israel Rodríguez Equipe Técnica: Luís Fernando Beloto (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 27/01/2022

Aula 15: Ministrada por Luna Maran (Jeqo) y Diana Garay Viñas y otras miembras de Apertura.

Tema: Prácticas cinematográficas con enfoque feminista en México: dos perspectivas (Veja no YouTube)
Un diálogo entre dos proyectos mexicanos de prácticas cinematográficas con enfoque feminista : “Apertura”, un colectivo de mujeres cinefotógrafas en el cine y “JEQO”, un espacio de aprendizaje autogestivo de cine comunitario feminista del Abya Yala. ¿Cómo están cambiando las maneras de producir y distribuir cine desde proyectos con un enfoque femenino/feminista? ¿Cuál es la necesidad de este tipo de iniciativas? ¿De qué maneras contribuyen a la industria cinematográfica actual? ¿Cómo se desplaza el rol clásico del autor en propuestas colectivas de acción y producción? ¿Se ha sacudido el panorama cinematográfico en México a raíz de la intensificación de las epistemologías feministas y de sus movimientos?

Mediadora: Esthel Vogrig Nardini (UAM)
Debatedora: Lizbeth Espinosa Pacheco (UDLAP)
Equipe Técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Vivian Berto de Castro (UNIFESP)

Data: 03/02/2022

Aula 16: Ministrada por Andrea C. Scansani (UFSC) Marina Soler (UNIFEP) e Yanet Aguilera (UNIFESP).

Tema: Uma ilha rodeada de terras: o ostracismo paraguaio na história do cinema latino-americano (Veja no YouTube)

Como seria a história do cinema latino-americano se pudéssemos escrevê-la a partir das obras que nunca puderam ser feitas? Daqueles roteiros, ou mesmo argumentos que, por terem nascido à sombra das violentas ditaduras, não floresceram, foram esterilizados à força, castrados? E se dentro desta nova e utópica historiografia pudéssemos resgatar aqueles poucos filmes que, quando nascidos, foram logo sufocados e esquartejados em inúmeras latas para nunca mais serem abertas? Jean-Claude Bernardet, ao comentar Você também pode dar um presunto legal (1970-2006) de Sergio Muniz, diz: “Você demonstra uma coragem e uma liberdade na feitura do filme que me fazem pensar que se teus filmes tivessem circulado mais e se você tivesse feito mais filmes, a história do documentário brasileiro poderia ser diferente”. Se a afirmação é trágica para pensarmos o que não foi possível ser visto na vasta filmografia brasileira, imaginemos essa mesma verdade em países em que uma única obra, ao entrar no esquecimento compulsório, pode significar o apagamento de uma ou mais gerações. Assim sendo, a aula aqui proposta tem como objetivo voltar-se para a pequena “ilha rodeada de terras” (nas palavras de seu poeta Roa Bastos) num esforço de preencher algumas lacunas da história do cinema paraguaio, particularmente a produção do Grupo Cine Arte Experimental idealizado por Carlos Saguier e de seu filme, restaurado em meados dos anos 2010, El pueblo (1969). Mediadora: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) Debatedora: Vivian Belloto (UNIFESP) Equipe técnica: Luís Fernando Beloto (UNIFESP) Eduardo Meciano (UNIFESP)

Data: 17/02/2022

Aula 17: Ministrada por Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP), Luís Fernando Beloto (UNIFESP) e Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Tema: Cinema e Videoarte, fronteiras borradas (Veja no YouTube)
A década de 1970 no Brasil foi marcada por uma intensa atividade tanto do cinema experimental como da videoarte. Esta efervescência não se revela apenas na realização de importantíssimas obras da cinematografia nacional, mas também é acompanhada por uma demanda de exibição dos festivais e mostras que brotavam em vários estados brasileiros. Este período também marca a chegada dos equipamentos de gravação portáteis, o Portapack, que ganham espaço e passam a ser utilizados além do filme Super 8mm pelas e pelos artistas e cineastas. Neste sentido se busca pensar as possíveis relações, intercâmbios entre as de obras de videoarte e o cinema experimental, visto que muitos artistas visuais tornaram-se presença marcante nos festivais de cinema de Super 8mm e experimental durante a década de 1970. Pretende-se, assim, dobrar, forçar, estender e problematizar as fronteiras de cada meio (cinema, Super8, vídeo…), tendo em conta como essas obras se misturavam nos festivais e mostras, como os cineastas e artistas dialogavam e como era a recepção do público nesses espaços em que as obras eram exibidas.
Mediadora: Ilma Carla Zarotti Guideroli (UNIFESP)
Debatedora: Marina Marcomini (UNIFESP)
Equipe Técnica: Vivian Belloto (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 03/03/2022

Aula 18: Ministrada por Maria Thereza Alves (artista convidada)
Tema: Conversa com a artista Maria Thereza Alves (Veja no YouTube) Mediadora: Fernanda Schenferd (UNICAMP)
Debatedora: Vivian Berto de Castro (UNIFESP)
Equipe técnica: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)

Data: 17/03/2022

Aula 19: Ministrada por Patrícia Rodrigues da Silva (USP) e Yanet Aguilera (UNIFESP)
Tema: O Cinema e a arte indígena na América Latina (Veja no YouTube)
Debate sobre a questão indígena e sobre os processos curatoriais anticoloniais em tempo de pandemia. Mediador: Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP)
Debatedora: Eduardo Meciano Rezende (UNIFESP)
Equipe técnica: Vivi Belotto (UNIFESP) e Vivian Berto (UNIFESP)

Data: 07/04/2022

Aula 20: Fechamento do Curso: Paulo Arantes (USP) e Esther Hamburger (USP)
Tema: Debate sobre Bacurau (2019), de Kleber Mendonça (Veja no YouTube) Mediador: Fernando Rodrigues Frias (USP)
Debatedora: Yanet Aguilera (UNIFESP)
Equipe Técnica: Vivian Berto de Castro (UNIFESP) e Khadyg Leite Fares Cavalheiro (UNIFESP)

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Eixo Temático

Eixo 6

Sonoridades, representações, identidades, resistências

Na voga do recente giro sonoro nos estudos fílmicos latino-americanos, zona de reflexão em forte expansão nos últimos anos, este eixo reúne investigações sobre as dinâmicas da interação som-imagem no cinema e nas artes. Reverente à tradição interdisciplinar do evento, aceita-se propostas que examinem as sonoridades de obras audiovisuais, performances, instalações e outras manifestações artísticas em seus aspectos estéticos, poéticos, históricos, culturais, sociais, tecnológicos e políticos. Com interesse na faculdade dos sons de ativar a dimensão sensível da fruição e de mobilizar memórias e afetos, dá-se preferência, embora não exclusivamente, a pesquisas que reflitam sobre o modo como as nossas múltiplas vozes, línguas, modos de falar, de tocar e de cantar, assim como as paisagens sonoras midiáticas, urbanas e rurais da região, operam nas obras como trincheiras simbólicas das nossas lutas identitárias e da resistência contra a colonização da escuta e do olhar.

Coordenação: Dr. Guilherme Maia (UFBA); Doutoranda Marina Mapurunga (UFRB-USP); Dr. Marcos Pierry (FTC)

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Eixo Temático

Eixo 7

Cinema, arte e educação

Partimos do princípio de que todo cinema, e imagens audiovisuais, possuem uma pedagogia interna – por meio da expressão de valores, visões de mundo, formas de pensar e sentir. No caso dos cinemas e das artes latino- americanos é muito comum observarmos pedagogias da resistência, evidenciando que nossos corpos, nossas imagens, nossas experiências culturais existem, são plurais e se (re)inventam continuamente. Dessa forma, este grupo de trabalho pretende complexificar essa premissa ao ampliar o diálogo com pesquisas que articulem processos de aprendizagem com expressões audiovisuais e artísticas em geral, incorporando as experiências e questões das latinidades aqui chamadas de afro-ameríndias. O objetivo é avançarmos nas questões teóricas e metodológicas que permeiam o campo cinema, audiovisual e educação, com debates acerca das pedagogias das imagens, processos formativos das artes afroameríndias, aprendizagens que vão da produção à recepção.

Coordenadoras: Dra. Ana Paula Nunes (UFRB); Dra. Ana Ângela Farias Gomes (UFS); Dra. Nadir Nóbrega Oliveira (UFBA).

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Eixo Temático

Eixo 5

Estudos de Recepção no Audiovisual e na Arte

O Grupo de Trabalho tem como proposta alargar o horizonte de debates sobre os estudos de recepção no audiovisual e na arte latino-americanos e busca reunir investigadores interessados em um enfoque multidisciplinar (abordagens empíricas e teóricas) que dê conta da recepção enquanto fenômeno de cultivo de experiências, fruto da relação entre produtos audiovisuais e artísticos, o espectador e os múltiplos contextos que os circundam. Visa ainda atualizar as referências conceituais e teóricas do campo, trazendo novas questões que atraem práticas de textos críticos e de fãs, a dimensão estético-receptiva do consumo, os espaços de fruição e os circuitos de exibição, a perspectiva sociocultural e as mediações do processo de recepção.

Coordenação: Dra. Regina Gomes (UFBA); Dr. Rafael Carvalho (UNEB)

Eje tematico: Estudios de Recepción en Audiovisual y Arte

El eje temático tiene como propuesta ampliar el horizonte de debates sobre los estudios de recepción en el audiovisual y en las artes latino-americanas, e aún también pretende reunir investigadores interesados en enfoques multidisciplinares (abordajes empíricos e teóricos) que contemplen la recepción como fenómeno de cultivo de experiencias, fruto de la relación entre productos audiovisuales e artísticos, el espectador e los múltiplos contextos que lo circundan. Objetiva aún actualizar referencias conceptuales e teóricas en el sitio, buscando cuestiones que atraen prácticas de textos críticos y de fans, la dimensión estético-receptiva del consumo, los espacios d fruición y los circuitos de exhibición, la perspectiva sociocultural e las mediaciones del proceso de recepción.

Coordinadores: Dra. Regina Gomes (UFBA); Dr. Rafael Carvalho (UNEB)

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Eixo Temático

Eixo 4

Cinema, Arte, Gênero e Sexualidade

O Grupo de Trabalho Cinema, Arte, Gênero e Sexualidade se constitui como um espaço para as discussões sobre pesquisas em cinema e artes visuais que evidenciem as relações de gênero, os feminismos, as sexualidades em suas possíveis dinâmicas e processos de sociabilidade através das múltiplas interfaces e entrecruzamentos das diferenças na América Latina. A produção artística e cinematográfica latino-americana, desde a segunda metade do século XX, se destaca pela contundência de trabalhos que conceituam, indagam e movimentam as teorias feministas e de gênero no continente. Através dos mais variados suportes e linguagens artísticas e do fazer audiovisual tornam-se visíveis as narrativas e as lutas dos corpos pelo direito à existência e livre expressão dos afetos e do prazer, assim como evidenciam-se as estruturas hierárquicas e as relações de poder que os tornam vulneráveis. Dessa forma, nosso objetivo é de que possamos fortalecer o diálogo entre pesquisas com perspectivas, temáticas, artistas e processos criativos os mais diversos, que venham contribuir para o enriquecimento do diálogo sobre essas questões no espaço latino-americano.

Coordenação: Dra. Priscila Miraz (UFRB); Dra. Rosângela Fachel (UFPEL); Doutoranda Olga Wanderley (UFPE)

Eje temático: Cine, arte, género y sexualidad

El eje temático Cine arte, género y sexualidad se constituye como un espacio para las discusiones sobre investigaciones en cine y artes visuales que evidencien las relaciones de género, los feminismos, las sexualidades en sus posibles dinámicas e procesos de sociabilidad a través de las múltiples interfaces y entrecruzamientos de las diferencias en América Latina. La producción artística e cinematográfica latino-americana, desde la segunda mitad del siglo XX, se destaca por la contundencia de trabajos que conceptúan, indagan y movilizan las teorías feministas e de los géneros en el continente. Por los más variados suportes e lenguajes artísticos e del hacer audiovisual se tornan visibles las narrativas y las luchas de los cuerpos por el derecho a la existencia e libre expresión de los afectos e de los placeres, así como se evidencian también las estructuras jerárquicas e las relaciones de poder que os vuelve vulnerables. De esa manera, nuestro objetivo es que posamos fortalecer el dialogo entre investigaciones con perspectivas, temáticas, artistas, procesos creativos os más diversos, que vengan contribuir para el enriquecimiento del dialogo sobre esas cuestiones en el espacio latinoamericano.

Coordinadoras: Dra. Priscila Miraz (UFRB); Dra. Rosângela Fachel (UFPEL); Doutoranda Olga Wanderley (UFPE)

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Eixo Temático

Eixo 3

História, memória e arquivo

Reconhecendo os sabores dos arquivos e as armadilhas da memória no trabalho historiográfico e nos campos da arte e do cinema, este GT pretende discutir as relações, fricções e tensões a partir das quais se tornam possíveis as escritas da história do cinema latino-americano, em suas articulações disjuntivas com a história da arte, observando não apenas a emergência dos novos sujeitos, objetos e práticas, mas também as novas miradas críticas que se constituem em relação aos marcos referenciais do campo. Considerando a multiplicidade de sentidos das relações entre arte, cinema, história e historiografia, interessa interrogar tanto as transformações epistemológicas e analíticas que se operam na pesquisa histórica quanto os deslocamentos de práticas estéticas e poéticas associados ao interesse em questões de história, políticas da memória e derivas de arquivo. Dessa forma, pretende-se discutir, por um lado, as possibilidades e os limites de diferentes perspectivas críticas e historiográficas, atravessadas pela reivindicação da diferença, de formas de leitura a contrapelo e de outros fundamentos de escrita da história. Ao mesmo tempo, por outro lado, trata-se de debater os diferentes gestos criativos que operam por meio da apropriação de materiais de arquivo, da perturbação do modo de sedimentação das camadas da memória e da incorporação de traços dos fluxos da história nos processos da arte e do cinema.

Coordenação: Dra. Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB); Dra. Laura Bezerra (UFRB); Dr. Marcelo R. S. Ribeiro (UFBA).

Historia, memoria y archivo

Reconociendo los sabores de los archivos e las trampas de la memoria en el trabajo historiográfico y en los sitios del cine, este eje temático discute las relaciones, fricciones e tensiones a partir de las cuales se tornan posibles las escritas de la historia del cine latino-americano, en sus articulaciones disyuntivas con la historia del arte, observando no solamente la emergencia de los nuevos sujetos, objetos y prácticas, pero también nuevas miradas críticas que se constituyen en relación a los ámbitos referenciales del campo. Considerando la multiplicidad de sentidos de las relaciones entre arte, cine, historia e historiografía, interesa interrogar tanto las trasformaciones epistemológicas e analíticas que operan en la investigación histórica, cuanto los desplazamientos de prácticas estéticas e poéticas asociadas al interés en cuestiones de historia, política de la memoria e derivadas del archivo. De esa manera, pretendemos discutir, por un lado, las posibilidades y los límites de diferentes perspectivas críticas e historiográficas, cruzadas por la reivindicación de la diferencia, de formas de lectura a contrapelo e de otros fundamentos de escrita de la historia. Al mismo tiempo, por otro lado, tratase de debatir los distintos gestos creativos que operan por medio de apropiación de materias de archivo, de la perturbación del modo de sedimentación de las camadas de la memoria e de la incorporación de rasgos de los flujos de la historia en los procesos de arte e de cine.

Coordinadores: Dra. Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB); Dra. Laura Bezerra (UFRB); Dr. Marcelo R. S. Ribeiro (UFBA).

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Eixo Temático

Eixo 2

Cinema e Arte Afro-Ameríndios

Este eixo temático se propõe a refletir sobre a produção, circulação e crítica de cinema e arte afro-ameríndios. Nesse sentido, estamos atentos(as) à singularidade dos processos de realização elaborados por grupos, coletivos e comunidades distintos, às formas de circulação dessa produção e também à importância da agência dos espectadores e/ou do público ao tomar contato com esses trabalhos. Pretendemos discutir sobre a denominação afroameríndia como paradigma para pensar e compreender expressões culturais de matrizes africanas e ou ameríndias na América Latina, suas estéticas, historiografias e metodologias transculturais, reunindo e promovendo diálogos entre culturas e formas artísticas, desde que sem perder de vista suas especificidades. Finalmente, interessa-nos abordar as dimensões política e estética do cinema e da arte afro-ameríndia na América Latina historicamente, além de apontamentos e reflexões acerca de perspectivas de intervenção no contexto contemporâneo.

Coordenadoras: Dra. Clarisse Alvarenga (UFMG); Dra. Emi Koide (UFRB); Tatiana Carvalho Costa (UNA)

Cine y arte afro-amerindios

Este eje temático propone la reflexión sobre la producción, circulación e crítica de cine y arte afro-amerindios. En este sentido, estamos atentos(as) a las singularidades de los procesos de realización elaborados por grupos, colectivos e comunidades distintos, a las formas de circulación de esa producción y también a la importancia de la agencia de los espectadores e\o del público al ponerse en contacto con estos trabajos. Pretendemos discutir sobre la denominación afro-amerindia como paradigma para pensar e comprender expresiones culturales de matices africanas e\o amerindias en América Latina, sus estéticas, historiografías e metodologías transculturales, recogiendo e promoviendo diálogos entre culturas e formas artísticas, desde que sin perder de vista sus especificidades. Por fin, nos interesa abordar las dimensiones políticas y estéticas del cine y del arte afro-amerindia en América Latina históricamente, así como apuntes y reflexiones acerca de las perspectivas de invención en el contexto contemporáneo.

Coordinadoras: Dra. Clarisse Alvarenga (UFMG); Dra. Emi Koide (UFRB); Tatiana Carvalho Costa (UNA)

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Eixo Temático

Eixo 1

Política e Estética

As mudanças nas lógicas de produção, circulação e consumo da produção simbólica, fruto de reivindicações políticas de grupos historicamente excluídos, como negros, mulheres, indígenas e dissidências sexuais e de gênero, vem configurando nas últimas duas décadas um contexto de re-emergência pública, como corpos falantes, de sujeitos que disputam ativamente narrativas, imaginários e paisagens por meio das linguagens que envolvem as imagens. Ao mesmo tempo em que diversas áreas de conhecimento incorporaram em seus escopos de estudos fenômenos que são fruto dessa virada subjetiva, ela nem sempre é acompanhada de uma virada epistemológica, de uma tentativa de acionar outras chaves de leitura para pensar essa produção. Esse eixo temático coloca em cena um duplo esforço: abrigar investigações voltadas à produção audiovisual e artística latino-afro-ameríndia que dá a ver as relações entre estética e política e também, especialmente, valorizar trabalhos que explorem gestos teóricos e metodológicos que contribuam para enegrecer e generificar os modos como olhamos os fenômenos, a partir de epistemologias feministas e antirracistas. Entendemos as relações entre estética e política no contemporâneo como constitutivas de sensibilidades e afetos compartilhados em contextos de disputas nos âmbitos da visibilidade e da cidadania, bem como de modos de compreender e habitar um mundo em comum.

Coordenação: Dra. Gabriela Almeida (ESPM-SP); Dra. Helen Campos Barbosa (UFBA)

Política e Estética

Los cambios en las lógicas de producción, circulación y consumo de la producción simbólica, resultante de reivindicaciones políticas de grupos históricamente excluidos, como los negros, las mujeres, los indígenas e las disidencias sexuales y de género, poco a poco se configuran, tras las dos últimas décadas, un contexto de re-emergencia pública, como cuerpos hablantes, de sujetos que disputan activamente narrativas, imaginarios y paisajes por medio de los lenguajes que circundan las imágenes. Al mismo tiempo en que diversos sitios del conocimiento incorporan en sus alcances de estudio los fenómenos que son resultados de ese giro subjetivo, no siempre él bien acompañado de un giro epistemológico, de una tentativa de accionar otras claves de lectura para pensar esa producción. Ese eje temático pone en escena un duplo esfuerzo: alojar investigaciones que se vuelvan a la producción audiovisual y artística latino-afro-amerindia que evidencien las relaciones entre estética y política, e que también, especialmente, valoren trabajos que exponen gestos teóricos y metodológicos que contribuyan para ennegrecer e generificar los modos como miramos los fenómenos a partir de epistemologías feministas e antirracistas. Comprendemos las relaciones entre estética y política en el contemporáneo cómo constitutivas de sensibilidades y afectos compartidos en contextos de disputas en los ámbitos de la visibilidad y de la ciudadanía, bien cómo de modos de comprender y habitar un mundo en común.

Coordinación: Dra. Gabriela Almeida (ESPM-SP); Dra. Helen Campos Barbosa (UFBA)

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Destaque

Latinidades Afro-ameríndias

Próximo COCAAL discute intersecções latinas com culturas africanas e ameríndias. Na foto, a pensadora brasileira Lélia González uma das referências

Tema do Cocaal 2023

[Por favor, desplácese hacia abajo para leer nuestra traducción en Español]

O que está em jogo quando se designa a América Latina, seja para reivindicá-la ou  recusá-la? A América Latina é uma fantasia ou um fantasma: não existe como presença plena ou projeto acabado, como identidade dada e território unificado; e é mais de uma, nos múltiplos tempos em que se desdobra, sem conjunção possível, como identidade fugidia ou terra dispersa, alheia a toda territorialização, isto é, a toda tentativa de apropriação e de instauração de um domínio unitário. América, em geral, e  América Latina, em particular, se inscreveram na imaginação política global – naquilo que Walter Mignolo (2003) denomina “sistema mundial colonial/moderno” – como um campo de disputa. Dessa forma, a assinatura colonial inscrita na noção de América Latina deve ser reconhecida por qualquer reivindicação do termo e de suas derivações.

Ao mesmo tempo, sem apagar a assinatura colonial que a inaugura, a história da América Latina deve ser lida a contrapelo, para que seja possível saber as realidades que a constituem, as disputas que a atravessam, os horizontes e as vertigens que a jogam para fora de si mesma. É preciso reconhecer, ao lado dos fantasmas coloniais cuja aparição permanece visível desde o nome, a sucessão múltipla de fantasmas cuja desaparição deve ser confrontada, mesmo que faltem nomes próprios suficientes para essa confrontação (e que esses nomes também procedam de uma genealogia colonial): os fantasmas de todas as pessoas que, sob o regime colonial de distribuição da violência, foram forçadas a desaparecer, no processo histórico de construção da experiência latino-americana.

Reivindicar as latinidades afro-ameríndias, como faz esta nona edição do Colóquio de Cinema e Arte na América Latina, implica reconhecer a violência da nomeação colonial das gentes colonizadas e a assinatura colonial que aspira a unificar, assim, a noção de América Latina (como uma herança comum). Ao mesmo tempo, ao apontar para as latinidades afro-ameríndias, trata-se de repensar a América Latina a partir da relação e do diálogo entre culturas e perspectivas coletivas, por meio da abertura e da escuta às vozes e aos traços da multiplicidade de experiências das gentes que o projeto colonial pretendeu reunir de forma generalizada, sob signos de africanidade e amerindianidade, cujas designações genéricas uma série de movimentos posteriores buscaram e buscam transformar em alavancas estratégicas de intervenção social e política.

Diante disso, impossível não salientarmos que iniciamos o ano de 2023 com a posse histórica de Sônia Guajajara, à frente do Ministério dos Povos Indígenas, do professor, jurista e filósofo Silvio Almeida, no Ministério de Direitos Humanos  com a recriação do Ministério da Igualdade Racial, a cargo de Anielle Franco, três instâncias fundamentais para implementação de políticas públicas voltadas para o enfrentamento da violência colonial atualizada constantemente por sistemas de policiamento e governo, e efetivamente de governo como policiamento, que persistem como norma em todo o continente. “Nunca mais o Brasil sem nós”, disse em seu discurso de posse Sônia Guajajara. “Não recuaremos, não retrocederemos, não vamos abaixar a cabeça mais, não sairemos daqui”, afirmou Anielle Franco. “Homens e mulheres pretos e pretas do Brasil, vocês existem e são valiosos para nós”, disse Silvio Almeida ao assumir a pasta. Falas que estão imbuídas de toda uma longa trajetória de movimentos e organização política de gentes negras e indígenas que têm buscado, desde o início, contestar as denominações coloniais a partir da reivindicação estratégica de seus termos, o que está presente ainda em outra fala de Guajajara: “Esse ministério é novo, mas na verdade esse ministério é ancestral”.

Nesse sentido, além de pensar a América Latina no plural, por meio da noção de latinidades, se trata de reivindicar, por meio do adjetivo afro-ameríndias, a possibilidade de multiplicação de perspectivas para reinventar a vida em comum no continente, nos campos do cinema e da arte. As latinidades afro-ameríndias são uma abertura para as formas alternativas de vida em comum que Lélia Gonzalez designou por meio da noção de “Améfrica Ladina”, para as práticas de contra-colonização do que Antonio Bispo dos Santos chamou de “povos afro-pindorâmicos” e para as memórias e projeções que tanto Ailton Krenak quanto Davi Kopenawa, entre outros, têm encontrado no tempo do sonho, resistindo à colonização, às suas heranças e às suas formas de tentar impor o fim do mundo. Latinidades afro-ameríndias, portanto, são também ladinidades améfrico-pindorâmicas, e quantos outros nomes será preciso desarticular e rearticular, desmontar e remontar, para começar a reconhecer e a inventar a multiplicidade de suas figuras mundanas e fantasmas extra-mundanos. 

Em articulação com as ideias aqui expostas, incentivamos o envio de propostas de mesas e comunicações que transitem nos seguintes eixos temáticos:

Histórias, memórias, fabulações e arquivos
Perspectivas teóricas e metodológicas
Estudos de recepção
Cinema, arte e educação
Corpos, gêneros e sexualidades
Poéticas sonoras e musicais
Linguagem: reconfigurações, experimentações, transgressões
Militâncias e ativismos
Representações, contra-representações e representatividade
Afetos, emoções, sentimentos
Bordas, margens, periferias
Coletivo, comunal, comunitário
Meio-ambiente e ecologias decoloniais
Audiovisualidades insurgentes
Artes e hibridismos


Tema del COCAAL 2023

¿Qué está en juego cuando se nombra a América Latina, sea para reivindicarla o para cuestionar su existencia? América Latina es una fantasía o un fantasma: no existe como una presencia plena o un proyecto terminado, como una identidad dada y un territorio unificado; y es más de una, en los múltiples tiempos en que se despliega, sin conjunción posible, como identidad esquiva o tierra dispersa, ajena a toda territorialización, es decir, a cualquier intento de apropiación y establecimiento de un dominio unitario. América, en general, y América Latina, en particular, se inscribieron en el imaginario político global –en lo que Walter Mignolo (2003) llama el “sistema mundial colonial/moderno”– como campo de disputa. De esta forma, la marca colonial inscrita en la noción de América Latina debe ser reconocida por cualquier reivindicación del término y sus derivaciones.

Al mismo tiempo, sin ignorar el sello colonial de su pasado, la historia de América Latina debe leerse a contrapelo para que sea posible conocer las realidades que la constituyen, las disputas que la atraviesan, los horizontes y los abismos que la lleva para fuera de sí misma. Es necesario reconocer, junto a los fantasmas coloniales cuya presencia permanece visible desde su nombre, la sucesión múltiple de fantasmas cuya desaparición debe ser confrontada, aunque falten suficientes nombres propios para esta confrontación (y que estos nombres también provienen de una genealogía colonial): los fantasmas de todas las personas que, bajo el régimen colonial violento, fueron obligadas a desaparecer en el proceso histórico de construcción de la experiencia latinoamericana.

Reivindicar las latinidades afroamerindias, como lo hace esta novena edición del Coloquio de Cinema e Arte en América Latina, implica reconocer la violencia de la denominación colonial de los pueblos colonizados y el sello colonial que aspira a unificar, así, la noción de América Latina (como patrimonio común). Al mismo tiempo, al apuntar hacia las latinidades afroamerindias, procuramos repensar América Latina desde la relación y el diálogo entre culturas y perspectivas colectivas, a través de la apertura y la escucha de las voces y rasgos de las múltiples experiencias de los pueblos que el proyecto colonial pretendió agrupar de manera generalizada, bajo signos de africanidad y amerindianidad, y cuyas designaciones genéricas se han intentado transformar en plataformas estratégicas de intervención social y política por parte de otros movimientos.

Ante eso, es imposible no destacar que iniciamos el 2023 con la histórica toma de posesión de Sônia Guajajara al frente del Ministerio de los Pueblos Indígenas; del profesor, jurista y filósofo Silvio Almeida, en el Ministerio de los Derechos Humanos; con la creación del Ministerio de Igualdad Racial, a cargo de Anielle Franco, tres instancias fundamentales para la implementación de políticas públicas dirigidas al enfrentamiento de la violencia colonial perpetuada por sistemas de vigilancia y gobierno, y de gobierno como vigilancia, que persisten como norma en todo el continente. “Nunca más un Brasil sin nosotros”, dijo Sônia Guajajara en su discurso de posesión. “No retrocederemos, no volveremos atrás, no bajaremos más la cabeza, no nos iremos de aquí”, dijo Anielle Franco. “Hombres y mujeres negros y negras de Brasil, ustedes existen y son valiosos para nosotros”, dijo Silvio Almeida al asumir la cartera. Discursos que están presentes en una larga trayectoria de movimientos y organización política de los pueblos negros e indígenas que han buscado, desde sus inicios, refutar las denominaciones coloniales a partir de la reivindicación de sus propios términos, hecho que está presente en otro discurso de Guajajara: “Este ministerio es nuevo, pero en realidad este ministerio es ancestral”.

En ese sentido, además de pensar América Latina en plural a través de la noción de latinidades, se trata de reivindicar, a través del adjetivo afroamerindios, la posibilidad de multiplicar perspectivas para reinventar la vida en común en el continente, en los campos del cine y el arte. Las latinidades afroamerindias son una apertura a las formas alternativas de vida en común que Lélia González nombró a través de la noción de “Améfrica Ladina”, a las prácticas contra-colonizadoras de lo que Antonio Bispo dos Santos llamó “pueblos afropindorámicos” y para las memorias y proyecciones que tanto Ailton Krenak como Davi Kopenawa, entre otros, han encontrado en el tiempo del sueño, resistiendo a la colonización, sus legados y sus formas de intentar imponer el fin del mundo. Las latinidades afroamerindias, por lo tanto, son también “ladinidades améfrico-pindorámicas”, y cuántos otros nombres habrá que desarticular y rearticular, desmontar y volver a montar, para empezar a reconocer e inventar la multiplicidad de sus figuras mundanas y fantasmas extramundanos.

En articulación con las ideas aquí presentadas, invitamos a presentar propuestas de mesas y comunicaciones que transiten por los siguientes ejes temáticos:

Historias, memorias, fábulas y archivos
Perspectivas teóricas y metodológicas
Estudios de recepción
Cine, arte y educación
Cuerpos, géneros y sexualidades
Poéticas sonoras y musicales
Lenguaje: reconfiguraciones, experimentaciones, transgresiones
Militancias y activismos
Representaciones, contra-representaciones y representatividad
Afectos, emociones, sentimientos
Bordes, márgenes, periferias
Colectivo, comunal, comunitario
Medio ambiente y ecologías decoloniales
Audiovisualidades insurgentes
Artes e hibridaciones